As vítimas de Eddie, the Head

E aí, rocker! Tudo bem?

Você já parou pra pensar em quantos Eddies estão soltos, espalhados por aí? Quantos daqueles pares de olhos demoníacos e obstinados nos observam e nos protegem na escuridão? Melhor ainda, por que são tantos, quase infinitos?

Quantos estão em capas de álbum, posters, revistas e camisetas do Iron? Estampados em bandeiras e grafites, cravados em portas de banheiro (quem nunca?) e carteiras de escola (quem sempre?)? Imagina se desse pra contar. Milhões? Bilhões? É coisa demais, cara!

Preparamos uma homenagem especial ao Iron Maiden. Essa é uma peça que você não encontra em nenhum outro lugar. Clique e confira!

Não me arrisco a chutar (aceito palpites!), mas cravo com certeza o porquê da existência desse exército descomunal de Eddies galopando ferozes ao som de Iron Maiden: nunca existiu e nem nunca existirá um mascote com tanta alma, irreverência e carisma como:

Eddie The Head, o ________________
(preencha como preferir: zumbi, demônio, fantasma, skatista em videogame, xodó da torcida do Vasco e por aí vai)

Mais do que tudo isso, nunca existirá um mascote tão poderoso para carregar as crenças e ideais dos fãs do Rock mundo afora. Me explico.

Um dos primeiros shows da banda em 1979, com um proto-Eddie, que já nasceu piscando LED dos olhos e cuspindo sangue de groselha no palco. Quem imaginava estar diante do nascimento de um verdadeiro herói?
Um dos primeiros shows da banda em 1979, com um proto-Eddie, que já nasceu piscando LED dos olhos e cuspindo sangue de groselha no palco. Quem imaginava estar diante do nascimento de um verdadeiro herói?

De um início tímido e despretensioso, como detalhe da cenografia de palco, o Eddie construiu sua trajetória como porta-voz e símbolo eterno da musicalidade e do próprio espírito grandiosamente monstruoso do Iron Maiden.

Eddie tornou-se o herói de toda uma geração que já não buscava mais ninguém para idolatrar. E fez por merecer, diga-se de passagem. Nesses anos de estrada, colecionou histórias e grandes feitos, se liga só:

A controversa capa do single "Sanctuary" de 1980: Thatcher is Dead
A controversa capa do single “Sanctuary” de 1980: Thatcher is Dead

De saída, meio que para mostrar a que veio, ele esfaqueou Margaret Thatcher – primeira ministra britânica representante máxima da borralhice cansada do pessoal chegado a chá de boldo e naftalina – e sem perceber propôs o sepultamento do prepotente e ultrapassado azedume inglês.

Pena que o pessoal talvez não tenha topado – a censura (em forma de tarja preta) à capa foi inevitável.

Acelerado, pra não deixar o pessoal respirar e mantendo o volume da polêmica alto e irritante, em 1982 ele apareceu como o verdadeiro manipulador do Diabo (aqui reduzido a um fantoche a serviço da anarquia do próprio Eddie):

Reedição da capa do álbum "The Number of The Beast" de 1982: Eddie, o verdadeiro Master of Puppets.
Reedição da capa do álbum “The Number of The Beast” de 1982: Eddie, o verdadeiro Master of Puppets.

E aí o pessoal entrou naquela onda desequilibrada (que sempre me faz rir, aliás), de chamar a porra toda de satanista sem pensar por 2 segundos no que está sendo questionado. Aquele desespero misturado com arrogância, que faz amigo e parente nosso se revelar “brother” do Malafaia (e ser excluído na mesma hora da nossa timeline do Facebook), sabe?

Adiante, em 1992, o Eddie em uma versão maloqueira, deu apavoro em Robert Maxwell – político e empresário (combinação “super saudável” em qualquer lugar do mundo).

Robert acobertava um esquema de corrupção e desvio de verba (jura?) em uma de suas empresas – chamando atenção para a onda de charlatanismo no parlamento britânico que exalava seus primeiros resíduos sulfurosos àquela época. Vem pra Brasília também, Eddie!

Capa do single "Be Quick or Be Dead" de 1992: "Que merda cê aprontou, seu canalha?"
Capa do single “Be Quick or Be Dead” de 1992: “Que merda cê aprontou, seu canalha?”

Bom, me apeguei a esses 3 casos para ficar no básico. Você e eu sabemos que esse tema renderia um estudo completo – ou no mínimo um papo de boteco (topa?).

Enfim, a questão é que o Eddie fez tudo isso através das capas dos álbuns, em forma de arte, carregando pelo mundo o que o Iron Maiden, como banda, achava sobre tudo e sobre todos. Sente o poder disso? Esse potencial dele como ferramenta de expressão e contestação? Foda né.

O legal é perceber que os alvos de toda a indignação e fúria do Rock n Roll não entendem e não percebem que a nossa força vem da nossa Música, dos nossos ídolos e até dos nossos mascotes. Talvez eles olhem para o Eddie e enxerguem só mais um bichinho com cara-de-monstro de mais uma banda de heavy metal qualquer: “coisa boba, sem importância”, dizem eles. Só digo uma coisa: deixa estar.

Deixa assim, cara. Questionar o que não concordamos por meio da arte e tripudiar sobre a ignorância de quem não nos leva a sério sacando da manga a ironia e o sarcasmo, é o que nos move e faz do Rock n Roll o estilo de vida que carregaremos juntos até a morte. E eu sei que carregaremos.

É por essas e por outras que desde a nossa primeira coleção fizemos questão de contar com uma peça em homenagem ao Eddie. Ela representa, de uma forma completamente diferente e inédita, um pouco disso tudo. Não é à toa que mesmo hoje, 4 anos após o seu lançamento, ela continua como uma das nossas peças mais vendidas. Como não trabalhamos com estoques muito altos, sugiro que você dê ao menos uma conferida – só para não se arrepender depois e ter que esperar por outro reprint.

Se quiser trocar uma ideia sobre o Eddie, ou qualquer outra coisa, me escreve.

Up the Irons!

About Marco Sinatura view all posts

Rocker e Sócio-Fundador. Obcecado por Rock n Roll, fanático por literatura contemporânea e ferrenho defensor da cultura digital, encontrou na Santo Rock seu canal de conexão com o mundo, vivendo suas crenças, expondo suas ideias e trocando experiências com a comunidade rockeira.

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