Flying V: do fracasso instantâneo ao sucesso estrondoso

E aí, rocker! Tudo bem?

O dia foi mais agitado e animado do que o normal por aqui e vou te explicar porque!

Reeditamos uma das promoções mais legais que fizemos desde 2011, o Amuleto do Rock. Dessa vez, a homenageada foi a Gibson Flying V, uma verdadeira lenda entre os guitarristas de diversos estilos.

Você conhece a história por trás desse patrimônio do Rock n Roll? Dá uma olhada!

Lançada em 1958, como uma tentativa de fazer com que a Gibson parecesse mais moderna e atraísse clientes mais jovens, a Flying V foi retirada do mercado menos de um ano depois. Sim, ela foi um fracasso alarmante, pelo menos aos olhos de todos na época. Feia, estranha e desengonçada, era o que pensavam. Tadinha.

Apesar de ter sido adotada de imediato por nomes de peso do blues como Albert King e Lonnie Mack, ela demorou pra cair no gosto da nova geração de guitarristas que começavam a enveredar pelas harmonias e riffs mais enérgicos do Rock do começo da década de 60 (e que voltavam suas atenções a Leo Fender e suas Stratocasters).

Albert King e sua Flying V na estica, mostrando que estilo é pra quem tem, não pra quem quer. Ele foi um dos primeiros a serem seduzidos pelo formato inovador e som poderoso do modelo, já em 1957.
Albert King e sua Flying V na estica, mostrando que estilo é pra quem tem, não pra quem quer. Ele foi um dos primeiros a serem seduzidos pelo formato inovador e som poderoso do modelo, já em 1957.

A Flying V (ou somente V para os íntimos) ficou quase 10 anos na geladeira, quietinha, sem previsão alguma de voltar a ser fabricada.

Isso só mudou quando ela foi redescoberta pelo britânico Davie Davies (The Kinks), doce e solitário gentleman, que devolveu a auto-estima a V e contribuiu para um aumento repentino do interesse pela silhueta exótica e incomum de sua nova parceira, um novo padrão de beleza da época.

A partir desse instante, V se sentiu desejada e gostou dos holofotes. Desfilou quente e assanhada pelos braços de alguns dos guitarristas mais influentes do Rock n Roll.

Começou chamando a atenção de ninguém menos que Jimi Hendrix, que apesar de pular a cerca ocasionalmente com V, nunca foi capaz de superar de vez sua paixão incandescente pela Stratocaster. Nem precisou. As poucas vezes que foram vistos juntos foram suficientes para alçar V ao estrelato.

 

Apesar do affair, Hendrix gostava mesmo é das curvas quentes e fogosas de uma Stratocaster. Ainda assim, até hoje é lembrado como um dos maiores nomes a disseminar o modelo na década de 1960.
Apesar do affair, Hendrix gostava mesmo é das curvas quentes e fogosas de uma Stratocaster. Ainda assim, até hoje é lembrado como um dos maiores nomes a disseminar o modelo na década de 1960.

Ela passou a ser assunto em todas as rodinhas e camarins no final dos anos 60 e um objeto de desejo a ser venerado por inúmeros outros guitar heroes, que a trataram tão bem ou melhor que Hendrix.

Quer receber gratuitamente histórias e curiosidades do Rock n Roll?

>

Randy Rhoads (Ozzy Osbourne), jovem carismático e abusado, puxou V de canto e deu-lhe um banho de loja. Ensinou-a a versar sobre melodias e arpeggios rápidos como a luz e a vestiu da maneira que os anos 80 exigiam.

Juntos formaram uma dupla lendária e fundamental para o Heavy Metal.

Randy Rhoads foi um dos pioneiros no uso da Flying V no Metal. Além de chocar pela técnica e timbres inovadores com o modelo, criou a célebre pintura customizada que viria a se tornar um verdadeiro clássico.
Randy Rhoads foi um dos pioneiros no uso da Flying V no Metal. Além de chocar pela técnica e timbres inovadores com o modelo, criou a célebre pintura customizada que viria a se tornar um verdadeiro clássico.


Daí pra frente foi questão de tempo para passar a ser vista circulando com o pessoal barra pesada dos anos 80. A Flying V foi vista incontáveis vezes, descontrolada e frenética, ao lado de Kirk Hammet (Metallica) e Kerry King (Slayer), responsáveis por apresentá-la às profundezas mais raivosas e obscuras dos anos 80.

Viagens deliciosamente perigosas, que de certa forma ajudaram a consagrá-la como uma das grandes musas do Metal, louvada até hoje, do alto de seus quase 60 anos de idade. Justíssimo.

Particularmente, a V é uma das minhas guitarras favoritas, e de todas as edições do Amuleto do Rock, essa é sem dúvida a que achei mais fodona. Sabe por quê? Porque em 2008 eu estava no meu primeiro show do Ozzy (com Korn e Black Label Society como bandas de abertura) no antigo estádio Palestra Itália e presenciei um dos momentos mais viscerais da história da nossa querida V.

Ela deve ter dado alguma resposta atravessada para Zakk Wylde, que àquela altura já estava meio chumbado, e que não pensou duas vezes antes de sair na porrada com V. Protagonizaram uma batalha épica que terminou com ambos exaustos e banhados em sangue no encerramento do show. Esse dia foi foda.

O fato é que com um curriculum desses, com tanta experiência e com tanta história, não podíamos deixar de escolhê-la para integrar esse hall de beldades.

A essa altura você já deve ter imaginado como essa promoção pode durar pouco tempo devido a alta procura e a quantidade limitada de peças disponíveis. Pois você imaginou certo!

Recomendo que não deixe pra fazer seu pedido depois. Além das quantidades limitadíssimas, nunca reeditamos o mesmo modelo de guitarra, o que torna cada edição única e exclusiva. Mais legal, né?

Se quiser falar mais sobre a Flying V, ou sobre outros grandes guitarristas que arrebentaram usando uma, me escreve. Eu sei que faltaram ainda inúmeros gênios como K. K. Downing (Judas Priest), Tim Wheeler (Ash), RudolfMichael Schenker (Scorpions), Andy Powell (Wishbone Ash), Grace Potter (Grace Potter & The Nocturnals), e até o Lenny Kravitz, por que não?

Keep on rockin’!

Quer receber gratuitamente histórias e curiosidades do Rock n Roll?

>

About Marco Sinatura view all posts

Rocker e Sócio-Fundador. Obcecado por Rock n Roll, fanático por literatura contemporânea e ferrenho defensor da cultura digital, encontrou na Santo Rock seu canal de conexão com o mundo, vivendo suas crenças, expondo suas ideias e trocando experiências com a comunidade rockeira.

1 Comment Join the Conversation →

  1. [empty]

    Hello.This post was extremely fascinating, especially because I was browsing for thoughts on this issue last Tuesday.

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *