Punk Invasion: pra quem cansou de ouvir porcaria!

Hey, rocker! Blz?

Hoje estou aqui pra te provocar. Você sabe o que é o Punk? Mesmo que não dê a mínima pros clássicos ou não faça ideia do que rolou nas décadas de 70 e 80, será que você sabe mesmo?

Tem certeza de que entende o real significado dessa revolução?
É o que veremos agora.

Não vamos falar de cabelos coloridos, jaquetas de couro, moicanos, piercings e tatuagens toscas. Não vista esse estereótipo, ele não fica bem em você. Algumas das pessoas mais Punk que conheço vestem terno e gravata todo dia e nem por isso ‘traíram o movimento’.

Não é a forma que nos faz ser quem somos, é a atitude.

cashOK, Johnny Cash não tem nada a ver com essa história. Mas se vestia ‘como manda o figurino’, de camisa lisa e gel no cabelo. E ainda assim, como dizer que ele não tem tudo a ver com isso, mesmo a décadas de distância?

Se a imagem batida e preconceituosa do Punk desmiolado é o que você vê quando ouve essa palavra, acredite, você pode já ter sucumbido aos inimigos. Sim, eles existem. O mundo não é feito só da paz e do amor que os hippies pregaram.

Nossos adversários são a apatia, a inércia e o conformismo. 

Vivemos no Brasil hoje um momento que lembra um pouco o berço desse fenômeno musical e cultural. As pessoas acordando passionalmente pra política, vendo muitas de suas perspectivas sociais serem esmagadas pela realidade. Corrupção, empregos minguando, oportunidades se esvaindo, planos destroçados.

“As pessoas não deveriam ter medo de seu governo. É o governo que deveria ter medo das pessoas”, escreveu Alan Moore em ‘V for Vendetta’. É de arrepiar, não é? Ainda sinto isso toda vez que leio esse trecho.

Mas é também um cenário em que vejo o underground aflorar, as pessoas voltando a tomar as ruas, de bike, a pé, correndo atrás das coisas em que acreditam.

NEWS-BLOG-PUNK-INVASION-PHOTOS1Acho que podemos dizer com segurança que os Ramones foram os caras que começaram tudo isso pra valer. Talvez não sejam exatamente os inventores, mas com certeza foram a banda que definiu o formato sonoro da música e estilo Punk.

Mesmo alcançando sucesso comercial limitado na época, foram a maior influência do movimento nos anos 70, tanto nos EUA quanto no Reino Unido. Um som simples e grosseiro, cujas qualidades eram ser rápido, violento e pop.

Sim, pop. Aposto que um ‘Hey ho let’s go’  já ficou horas martelando na sua cabeça. É, cara, gruda mais que Chiclete.

O artista Arturo Vega definiu perfeitamente os ideais dos caras em um logo simples, que hoje estampa tantas camisetas pelas esquinas do mundo inteiro:

“Eu via os Ramones como a banda norte-americana definitiva. Pra mim eles refletiam o perfil perfeito dos EUA verdadeiro, das ruas, mas com uma agressividade quase que inocente e juvenil. Pensei: ‘o selo do Presidente seria perfeito pra eles’. Só decidimos mexer em algumas coisas…”. 

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Mexer não, subverter. Pequenos detalhes que fazem toda a diferença. Mais ainda quando a vítima é um símbolo tão protegido pelo governo. Foi pensando nisso que abrimos a coleção Punk Invasion com uma releitura do clássico: o taco de baseball está rachado porque não se leva desaforo pra casa, a águia que era o símbolo sagrado do sistema, cai do pedestal com o olho roxo, depenada.

Briguenta, arrebentada, vitoriosa. Verdadeiramente Punk.

NEWS-BLOG-PUNK-INVASION-PHOTOS2Daí pra frente a coisa tomou o mundo, mas foram os Sex Pistols que reinaram na Inglaterra. Muitas das bandas e do visual que você adora hoje são netos desses caras, que na prática eram só um bando de moleques revoltados com a situação social e política em que haviam nascido.

Uma banda que levou 3 anos pra se tornar uma das mais influentes do século

NEWS-BLOG-PUNK-INVASION-PHOTOS6É notório o ataque da classe trabalhadora à conformidade social e política que impregnou o governo inglês nos anos 70 e 80. Muitas bandas simpatizaram com isso e até o Iron Maiden fez da capa do single ‘Sanctuary’ a sua crítica em 1980, com Eddie the Head assassinando Margaret Tatcher, a então primeira-ministra.

Mas a pancada começou antes, com ‘God Save the Queen’, considerado o último e maior surto pandemônico moral da indústria pop. As palavras não são minhas, são de Sean O’ Hagan, do The Observer de Londres.

As letras dos Pistols eram consideradas obscenas e incluíam críticas agressivas à indústria musical, consumismo, violência, apatia e claro, à família real britânica.

Johnny Rotten fuzilou: “Você não escreve ‘God Save The Queen’ porque odeia os ingleses. Você escreve uma música assim porque você ama esse povo e já está de saco cheio de vê-los serem maltratados”.

Confesso: com o Never Mind the Bollocks tocando aqui no talo, não resistimos e resolvemos travestir a própria Rainha nos moldes das fanzines Punk coloridas e escrachadas da época. O resultado? Ficou foda pra caralho!

NEWS-BLOG-PUNK-INVASION-PHOTOS4A essa altura talvez você já tenha pensado: “Ué, quando vejo alguém com uma camiseta desse estilo ela é preta, sem cor. Não entendi porque vocês fizeram assim vivo e colorido”. Pois é. Quem disse que o Punk é monocromático?

Pra você ter uma ideia, o rosa é que era quase uma cor universal do movimento. Como toda expressão cultural, as cores e os sabores são diversos. Queríamos resgatar isso, libertar os fãs do preto-e-branco-de-vitrine. A inspiração dos traços vem das fanzines e caricaturas da época. As cores, vivas, fortes, vibrantes.

Eu podia continuar essa história citando The Clash, Dead Kennedys, Rancid, Black Flag, Runaways, Green Day, Bad Brains, Stooges… nossa, são muitas.

NEWS-BLOG-PUNK-INVASION-PHOTOS7No fim das contas, escolhemos o Bad Religion e daqui a pouco você vai entender o porquê. A banda, fundada em 1979 em Los Angeles, tem importância inquestionável. Tanto na inconfundível harmonia dos vocais quanto pelo aspecto mais profundo de suas letras, que muitas vezes cruzam uma linha que muitos tem medo: a da religião. Mas um ponto crucial dos caras que eu tomo como influência direta no que escrevo é o tom.

Greg Graffin, vocal e líder da banda, já declarou que tenta não alimentar a polarização de pontos de vista, mas sim levantar questionamentos pra que as pessoas pensem por si próprias. Principalmente com relação à política dos EUA, o maior alvo das críticas e também onde a Santo Rock mirou essa homenagem. A bandeira americana em sangue, como um retrato de um futuro pós-apocalíptico, resultado de um mundo que não se questiona e aceita o abuso. Um mundo que pode ser o nosso se fecharmos os olhos para o problema.

Nas palavras de Graffin: “A fé em seu parceiro ou parceira, em seus companheiros e amigos é muito importante, porque sem isso não há nenhum componente mútuo pra compartilhar em seus relacionamentos e os relacionamentos são essenciais. Mas a fé cega em líderes religiosos ou políticos, ou mesmo em pessoas populares, famosas, é um problema. Você não deveria ter fé nessas pessoas. Você deveria ouvir o que elas têm a dizer e aí sim tomar uma atitude”. 

Mesmo que você não concorde, isso é de uma lucidez absurda.

NEWS-BLOG-PUNK-INVASION-PHOTOS5Ramones de Nova Iorque, Sex Pistols de Londres e Bad Religion da Califórnia. Essas escolhas não foram aleatórias. Miramos nas três principais escolas Punk mundiais pra revisitar as perspectivas que elas criaram. Pra fazer você quebrar a rotina e parar pra pensar um pouco.

Não sou pessimista e nem vim aqui pra vomitar na sua tela minha visão sobre partidos, corrupção ou opinião política. Algo está nascendo em todos nós, seja você de esquerda, direita, centro ou seja lá que rótulo queira usar. É uma mensagem que bandas como Ramones, Sex Pistols e Bad Religion se esforçam pra nos dizer.

Pare de se esconder. Pare de aceitar.

Precisamos reagir com as vísceras se for necessário. Precisamos dizer não. Pro governo e também pra oposição. Pra tradição e pro radicalismo, pra quem duvida do nosso potencial. Ah, e o que se tornou o “nosso potencial”?

Um jeito pomposo e auto-indulgente de não tirarmos a bunda da cadeira.

A Santo Rock começou o primeiro dia útil de janeiro como se ainda estivéssemos em ritmo de Shopping Center em pleno pico de Natal. Mas ainda dizem por aí que brasileiro só começa a trabalhar depois do Carnaval. Não só dizem, a gente aceita.

Bom, não é o que dizemos. Aqui o que ouço é que brasileiro só pára mesmo pro Carnaval. Que esse sim é um povo Punk, que não aguenta abuso, não fica calado, não mede esforços pra encontrar soluções.

Quero que você diga isso por aí também. Faz muito mais sentido.

TOPBANNER-PUNK-INVASIONEscreva pra gente, compartilhe suas ideias. Você não tem noção da diferença que tem feito a porrada de emails que temos recebido de pessoas que nem conhecemos, de clientes, amigos. Lemos todos, respondemos cada um.

Queremos manter esse diálogo aberto. Aprendemos muito com cada ponto de vista que chega porque estamos construindo uma empresa em cima disso. Um lugar que dá real atenção às críticas, que não se embriaga com elogios. Uma marca que é uma linha direta com pessoas.

Não pela ganância de vender sempre mais, mas pela ambição de tornar o Rock n Roll uma pedra fundamental no coração do país do samba.

Vamo pra cima!

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About Demiro Ferrari view all posts

Entre seus grandes feitos já enfrentou uma multidão pra ver os Rolling Stones em Copacabana e dirigiu de San Francisco a Los Angeles só pra conferir uma banda cover do Doors no Whiskey a Go Go. Lamenta não ter visto James Brown ao vivo e acredita que os vícios fazem parte das virtudes assim como os venenos dos remédios.

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