Whitesnake: muito mais que um headbanger romântico!

Fala rocker, tudo bem?

Quero dividir algo bem pessoal com você e que, com a chegada da Hard Rock Attack!, dominou a minha mente nos últimos dias.

Tem banda que te marca por motivos que você nem mesmo sabe porquê. Às vezes em determinados momentos da vida, quase sempre por uma vida inteira.

Uma das lembranças mais fortes que tenho do Whitesnake é de estar no carro, indo visitar meu irmão, que na época morava em Botucatu por causa da faculdade. Meu pai deixou rolando aquele acústico comandado por David Coverdale, o Starkers in Tokyo, que é simplesmente fenomenal.

Lembro que esse álbum ficou por eras no carro, monopolizando o som até todo mundo já ter decorado todas as letras.

De alguma forma, as músicas desse álbum me lembram daquela época da minha vida, das paisagens que passavam pela janela do carro, a família, o churrascão, o cheiro de mato seco debaixo daquele céu azul comprido do interior.

É louco isso. Nem sei porque nosso cérebro faz essas associações de música com tantos elementos que envolvem nossas lembranças. Imagina quantos namoros já foram embalados por “Is This Love“. Quantas separações amenizadas por “Here I go again“? As reconciliações e reviravoltas que pedem, imploram, por “Love ain’t no stranger“?

A verdade é que a música é tão poderosa que nos faz lembrar de coisas que simplesmente achamos que havíamos esquecido.

Ativam alguma parte ali em nossa cabeça que há tempos não eram acionadas e não adianta: você pode bancar o durão por fora, mas por dentro, quando o sentimento bate, fica difícil esconder.

É um poder que as canções tem sobre as sensações, assim como o sal sobre o churrasco (os argentinos que não me ouçam!).

Pois é, senhor David Coverdale, fazendo história desde sempre! Algo já esperado pra quem viu o início do estrelato participando de uma das bandas mais icônicas de todos os tempos, o Deep Purple.

Fico imaginando como deve ter sido isso. Sei que Coverdale mandou uma fita caseira (e claro, tosca) pra banda, sem esperar muito que isso desse algum resultado. Bom, com certeza já era melhor do que ficar sentado esperando algo acontecer, não é?

Depois de alguns dias só precisou de um telefonema pro mundo dele virar de cabeça pra baixo:

“Alô, quem fala?”
“Aqui é o Dave…”
“David Coverdale?”
“Isso. Quem deseja saber?”
“Oi David. Queria te convidar pra uma oportunidade que vai mudar a sua vida completamente. Ouvimos sua fita e o Deep Purple quer fazer um ensaio-teste com você!”
“Oh… My… God…”

Ele sabia que precisava apenas de uma oportunidade pra mostrar o que podia fazer e, agora que tinha isso nas mãos, não ia deixar escapar.

Hoje sabemos que o Purple não teve dúvidas depois de ouvir aquela voz tão única, com um quê natural do blues que outros vocalistas não chegavam nem perto, mesmo os esforçados.

Era um grande passo na trajetória de sucesso de David Coverdale. Mas isso foi só o começo.

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Em 1976, quando saiu do Deep Purple, já estava bem mais maduro, lançando seu primeiro trabalho solo intitulado “White Snake“. O título mais tarde daria nome à banda que se tornaria seu verdadeiro legado para a história do Rock, uma incontestável máquina de emplacar hits.

Foram inúmeras formações diferentes com fases brilhantes, onde o Whitesnake conseguiu desenvolver uma fórmula que agrada tanto os mais sentimentais quanto os headbangers conservadores. Uma proeza reservada a raríssimas lendas do Rock.

Aproveito pra fazer uma pausa. Já parou pra pensar de onde veio o nome Whitesnake?

Em uma entrevista recente, Coverdale revelou que o nome é uma homenagem (pausa dramática) ao seu… pênis (WHAT?). E que se ele fosse negro, se chamaria Blacksnake.

Logo em seguida ele mesmo se retrata, dizendo que era apenas uma brincadeira: “Na verdade, é só o nome de uma música que eu escrevi nos meus últimos momentos no Deep Purple”

A música em questão, embala o malicioso refrão:

“Got a white snake mama
You want to shake it mama
You’re a white snake mama
Don’t you let it crawl on you”

Com isso tudo em mente, não poderíamos deixar o Whitesnake de fora da nova coleção Hard Rock Attack!, um dos grandes responsáveis pela popularização do Rock nos anos 80.

Quando começamos a pesquisa aqui, nos deparamos com alguns pontos curiosos presentes nas capas dos álbuns clássicos. A cobra branca está sempre ali, normalmente como um monumento, um brasão de pedra. Outras vezes lembra um deus-serpente seduzindo garotas que de indefesas não tem nada.

Entre tantas referências, uma inscrição nos chamou a atenção: o “Serpens Albus” entalhado na pedra da capa do sétimo álbum. A expressão em latim significa o que você já deve estar imaginando: Serpente Branca.

Foi esse o nome usado em 1987 para o lançamento desse disco no Japão. Não me pergunte por quê, já que na Europa e Austrália saiu como “1987” e no resto do mundo como “Whitesnake”. Mais um dos mistérios do senhor David Coverdale (se você é um fã mais dedicado e sabe, me escreve. A dúvida tá me matando!).

Aproveitamos esse imaginário todo pra criar um verdadeiro altar ao deus-serpente de Coverdale. Sua base montada sobre caveiras (símbolo clássico de transformação) e a rosa (símbolo do romantismo) levantam o arco de serpentes entrelaçadas que remetem ao infinito, reforçando elementos como força vital, sensualidade, dualidade, tentação e alguns outros elementos.

De repente nos demos conta de que não dava pra ficar mais Whitesnake do que isso e estava pronta a nossa mais nova criação!

Eu sei que muitas bandas absurdas dessa época acabaram ficando de fora da nossa coleção Hard Rock Attack!. É horrível ter que escolher só algumas quando gostaríamos de mergulhar também em Mötley Crüe, Skid Row, Scorpions, Poison, Van Halen, Def Leppard, Twisted Sisters… nossa, a lista não tem fim (isso só pra ficar nos classicássos dos anos 80).

Todas elas são bandas que me fazem viajar instantaneamente pra momentos muito especiais da minha vida. Talvez por isso eu tenha estado mais nostálgico essas últimas semanas. Afinal, quem resiste ao Hard Rock?

Acredito, inclusive, que as bandas transformam-se em lendas no momento em que passam a fazer parte da nossa história de vida através de pequenas lembranças e memórias que definem quem somos. Faz sentido, rocker?

Agora me diz: qual banda ou música que te remete a momentos especiais da sua vida? Todos temos uma história íntima guardada na manga.

Eu tô curioso pra saber a sua. Me escreve.

Até mais!

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About Demiro Ferrari view all posts

Entre seus grandes feitos já enfrentou uma multidão pra ver os Rolling Stones em Copacabana e dirigiu de San Francisco a Los Angeles só pra conferir uma banda cover do Doors no Whiskey a Go Go. Lamenta não ter visto James Brown ao vivo e acredita que os vícios fazem parte das virtudes assim como os venenos dos remédios.

9 Comments Join the Conversation →

  1. Felipe

    Que ideia fantástica pra fazer uma aproximação com o cliente cara! Muito bom! A equipe toda escreve muito bem, gosto bastante de receber as histórias e to preparando o bolso pra pegar mais uma camiseta pra coleção haha! Abraços.

    Reply
    1. Vitor Rossellini

      Grande Felipe,
      Tudo certo?

      Que bom que curtiu cara, isso faz toda a diferença aqui pra gente!
      Espero que continue nos acompanhando.

      Vamo que vamo!
      Um abraço!

      Reply (in reply to Felipe)
  2. Chély Pates

    Fico esperando um novo e-mail, relembrando como eu lia reportagens antigamente na Show Bizz e claro, sempre incluindo novas histórias que vocês trazem tão brilhantemente.
    Não parem, a Nação do Rock agradece !!!!!

    Reply
    1. Vitor Rossellini

      Oi Chély
      Tudo bom?

      A nossa ideia é justamente conseguir trazer um conteúdo de qualidade para nossos leitores. Afinal o Rock é recheado de histórias fantásticas que merecem serem comentadas, relembradas e analisadas!

      Vamo que é só o começo!
      Obrigado pelo apoio!

      Um abraço

      Reply (in reply to Chély Pates)
  3. João Carlos Rissardi

    Receber histórias do rock é sempre muito bom, sobre Whitesnake então é fabuloso, essa interatividade de vocês com os clientes e amigos do rock n roll é fantastico, obrigado e continuem assim, abraços. Rock n rool sempre.

    Reply
    1. Vitor Rossellini

      Fala João!

      Que bom que curtiu, essa proximidade com nossos leitores e amigos faz toda a diferença!

      Espero que continue nos acompanhando

      Obrigado,
      Um abraço!

      Reply (in reply to João Carlos Rissardi)
  4. LIVIA LIMA CHAVES

    Com certeza, Here I go Again me tirou de vários momentos deprê, em que eu sentia que devia me reerguer e colocava essa música e cantava bem alto o refrão! Haha
    Isso é rock! Amo Whitesnake! ❤

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  5. Gabriel

    Uma das pobrezas do meio headbanguer é não valorizar o tônus sentimentalista (ou brega mesmo) das baladas românticas que fazem bandas de Heavy Metal e Hard Rock.
    Coisas como a belíssima “No Stranger to Love” do Tony Iommi, “She’s Gone” do Steelheart, “How You Gonna See Me Now?” do Alice Cooper (O REI) e até mesmo a maravilhosa “Wasting Love” do Iron Maiden (que é, na verdade, uma música sobre sexo e culpa católica).

    Não são concessões que as bandas fazem ao mercado fonográfico.

    Músicas românticas (demasiadamente românticas) são populares antes de serem comerciais.
    É o que a gente tem de mais próximo de trovadorismo medieval, de cantigas de amor. Esse produto tão profundamente cristão católico romano e ocidental (que Schopenhauer – talvez o mais machista dos filósofos – critica tanto).

    Na verdade músicas comerciais são, normalmente, o contrário de românticas, especialmente hoje em dia. Não existe nem mais música romântica no Sertanejo (o Sertanejo ruim mesmo – foi-se o tempo do “Dormi na Praça – Bruno & Marrone”).
    Geralmente músicas que sempre exaltam o desapego, o “dei volta por cima meu bem”, “olha o que você perdeu”, “sou linda, poderosa e não tenho fraquezas”, “pego todas”, “sou melhor que você” são as que mais tocam nas rádios. Vide Anitta, Rihanna, 50 Cent, Valesca Popozuda e todas essas merdas.

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  6. Patricia Martins

    Nossa … que remember agora!!! Amo Whitsnake… Muitas músicas são especiais… Nunca fui de passar mal em show, ficar nervosa ou histérica… mas no show de 1997 achei que ia desmaiar… antes do show começar, comecei a tremer, suas frio… O Coverdale foi o único que teve esse efeito sobre mim…. kkkk . Amo Bon Jovi também… tanto que até dói…. Pena que já não consigo ir em tantos shows quanto gostaria… Adoro receber as histórias de vocês… são ótimas, bem escritas… sem contar que é uma nostalgia que conforta … Bjs, sucesso e obrigada !!!!

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