Epic Festivals: dias comuns que mudaram o mundo!

Hey rocker, tudo bem?

Hoje deveria ser um dia como outro qualquer. Tão normal e sem graça quanto aquele 15 de agosto, quando em 1969 teve início o histórico festival de Woodstock (hoje “histórico”, mas naquela época era só “festival”).

Datas que pra um desavisado parecem dispensáveis como 13 de julho, o Dia Mundial do Rock. Um dia que não era nada até o Live Aid parar o mundo pra celebrar a boa música por uma causa comum (estima-se que quase 1,5 bilhão de pessoas assistiram às apresentações transmitidas).

Tão “irrelevante” quanto 31 de julho, quando em 2014 o Wacken abriu as comemorações de 25 anos como o maior festival de Metal da história desse planeta.

O que transformou esses dias e lugares em momentos que entraram pra história? Por quê são tão importantes? Que diferença fizeram na minha vida e na sua, afinal?

Datas não significam nada até alguém chegar e fazer algo que mude a vida das pessoas.

A partir daí já não são mais datas. São janelas que nos conectam diretamente à energia daquele momento. Soou meio hippie, né? Deve ser a overdose de Woodstock que eu tomei nos últimos dias.

Acredito que a diferença tem a ver com o ritual de comunhão que esses eventos representam. É religião? É fé? Cara, é Rock n Roll, simples assim.

Momentos inspirados como quando diante de um Woodstock que até então estava absolutamente lotado, mas que já se esvaziava, Jimi Hendrix fez questão de fazer uma de suas mais longas apresentações. Foram duas horas ininterruptas fechando o festival, com direito a um bis (que ele quase nunca fazia) de “Hey Joe” (que ele quase nunca tocava).

Jimi Hendrix. Ao Vivo. Por duas horas sem parar. O que dizer sobre isso?

Os organizadores haviam estimado um público máximo de 200 mil pessoas. Só não contavam que mais de meio milhão compareceria, derrubando as cercas e tornando o festival um evento gratuito.

Te entendo, Jimi. Numa dessas até eu não iria querer desligar a guitarra.

A loucura não parou aí. Houveram dois partos registrados (um dentro de um carro preso no congestionamento e outro em um helicóptero), além de quatro abortos e duas mortes bizarras (uma delas por atropelamento por um trator). Só isso já dava um filme sozinho!

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Isso tudo é tão magnífico que fica até difícil acreditar que aconteceu. Principalmente por termos vivido essas coisas só por vídeo ou pela memória de outras pessoas.

A estética e inspiração que o Woodstock exportou pro mundo tem reflexos presentes até hoje. Foi o que buscamos captar na Woodstock ’69, que abre a nossa nova coleção Epic Festivals.

Em julho de 1985 eu não tinha nem três anos de idade. O Live Aid pra mim, assim como o Woodstock, sempre foi cercado daquela mágica que só as histórias saudosistas possuem. Mas era só isso e ponto.

Anos depois, quando (alguma) maturidade musical me atingiu como um tiro na cabeça, fui entender a riqueza daquele dia: Black Sabbath, Led Zeppelin, U2, Mick Jagger, David Bowie, Tina Turner, B. B. King, Beach Boys e tantas outras lendas reunidas… cara, que line up é esse?

Que festival hoje coloca no mesmo palco tanta gente desse calibre? E num único dia! 

O Queen abriu com “Bohemian Rhapsody” (quem não daria um dedo pra viver isso?), levando o público alguns minutos depois a um intenso bate-palmas em uníssono durante “Radio Ga Ga”. Tente imaginar essa galera cantando junto a plenos pulmões “We Will Rock You” e “We Are The Champions”. A apresentação acabaria sendo eleita pela BBC de Londres como o “melhor show ao vivo já realizado”.

Live Aid acontecia simultaneamente do outro lado do mundo também, nos EUA, recheado de momentos marcantes. Como quando a corda da guitarra de Bob Dylan se partiu e Ron Wood dos Rolling Stones ofereceu seu próprio instrumento a ele (conheço gente que daria até a vida se fosse preciso, imagina a guitarra).

Sem instrumento, Wood ficou no air guitar até um roadie trazer uma reserva, acertando as coisas. Essa só quem esteve lá viu, já que a cena não foi incluída no vídeo oficial (nesse momento tudo o que você vê é a câmera em cima de Keith Richards).

Descobrir essas coisas não é um mero saudosismo vazio. É como cavar o passado e encontrar alguns tesouros que talvez não tenham tanto valor pra maioria das pessoas, mas são preciosos pro verdadeiro apaixonado pelo Rock n Roll.

Momentos que escolhemos homenagear em criações exclusivas, como a Live Aid ’85, que inspirou o Dia Mundial do Rock que comemoramos todos os anos (pra gente aqui na Santo Rock é como se fosse o Natal, se é que você me entende).

 Mas como ficam as coisas hoje em dia? Será que as glórias são mesmo exclusivas do passado?

Acredito que o Wacken esteja aí pra provar o contrário. Afinal, não é qualquer festival que reúne os maiores monstros do Metal e mais de 80 mil pessoas em uma cidadezinha esquecida nos cafundós da Alemanha. Quem curte Metal no Brasil sabe o quanto é difícil conseguir algum espaço. Imagina isso!

Mas a edição de 2014 teve um sabor mais especial que as outras.

Além da presença de lendas absolutas como Motörhead, Megadeth, Slayer, Accept, Saxon, Skid Row, Arch Enemy, Kreator e King Diamond, foi também a edição histórica de aniversário de 25 anos do festival. Vinte e cinco fuckin’ years!

É assim que fechamos a nova coleção Epic Festivals: com uma promessa pro futuro. Homenageando essa edição tão recente com a Wacken ’14 queremos dizer que ainda temos muitos momentos assim para viver nos próximos anos. Que venham logo!

Três grandes momentos que entraram pra história. Três datas que transformaram o mundo criando tendências, transformando arte em experiência viva. Três festivais épicos.

O que isso muda na minha vida e na sua? Bom, muda muita coisa. São fontes de inspiração, lições vivas do poder que o Rock tem quando se expressa em nosso mundo. Momentos assim não são feitos só de deuses do Rock ou multidões extasiadas ou estruturas colossais. É um pouco de tudo isso e mais.

Você acha mesmo que as pessoas que estiveram lá conseguiram continuar suas vidas normalmente depois dos acontecimentos que testemunharam? Duvido. 

São momentos que, mais do que relembrar, queremos vestir. Queremos que façam parte da nossa história. É por isso que são comemorados até hoje. É por isso que mergulhamos neles aqui na Santo Rock.

Se você por acaso esteve em alguns desses ou de outros festivais históricos do Rock, de qualquer época, de qualquer tamanho, me escreve. No seu relato está a nossa oportunidade de experimentar esses momentos únicos pelos seus olhos. Precisamos disso, é uma necessidade quase que visceral.

Um vício que tentamos transformar todos os dias em virtude.

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About Demiro Ferrari view all posts

Entre seus grandes feitos já enfrentou uma multidão pra ver os Rolling Stones em Copacabana e dirigiu de San Francisco a Los Angeles só pra conferir uma banda cover do Doors no Whiskey a Go Go. Lamenta não ter visto James Brown ao vivo e acredita que os vícios fazem parte das virtudes assim como os venenos dos remédios.

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