Bag of Bones: a verdade escondida nas caveiras do Rock

Hey rocker, tudo bem?

Acho que alguém aí já deve ter dito nos últimos meses que ‘caveira agora é modinha’. Preciso te dizer: é mentira.

Não interessa se é aquele crânio medonho de tatuagem de prisão, o esqueleto dos infernos de filme de terror, foto, rabisco ou até a simpática caveira mexicana (complô dos fabricantes de paletas, será?): esse elemento nunca saiu (e nem vai sair) de moda.

Com a nova coleção Bag of Bones que acabamos de lançar, abandonamos por alguns momentos as grandes bandas e monstros do Rock, pra revelar esse segredo. Ficou foda, juro! Mas isso eu te mostro daqui a pouco.

Quando falo em moda não estou falando de modinha, mas de uma presença imutável em nossa rotina. Quem vive pela estrada do Rock já deu de cara com as incontáveis versões desse símbolo. É algo muito vivo em praticamente todas as culturas. Talvez você já tenha se perguntado: “cacete, de onde vem isso?”.

É a morte, não é? Ouvi dizer que tem a ver com transformação, não tem? É um aviso de perigo ou um lembrete da efemeridade dessa vida que escorre pelos nossos dedos todos os dias?”. É tudo isso e mais um monte de coisa.

O que você talvez não saiba é que o Rock n Roll foi responsável por muito do que você consome e vê como caveira hoje em dia. Resolvemos mergulhar nessa história e descobrimos que existe uma verdade escondida, que preciso te contar agora.

É difícil encontrar hoje em dia sequer um rocker que não vista algum elemento de caveira. Camisetas, saias, bonés, vestidos, tênis, bandanas, acessórios e até cuecas e calcinhas estampam esse símbolo que já se tornou uma segunda pele pra gente.

Isso passa tão batido que caímos até no pecado de usá-lo sem entender seu significado e de onde surgiu essa relação tão intensa com o Rock.

Com a ascensão das bandas nos anos 60 era inevitável que artistas, marketeiros e toda a sorte de profissionais e malucos do meio buscassem símbolos que traduzissem aquele som monstruoso que tomava o mundo. As pessoas precisam de símbolos, não há forma melhor de se comunicar.

Não temos certeza se a escolha foi natural ou planejada, mas quando a caveira abriu o primeiro álbum do Grateful Dead em 1965, a busca parecia ter terminado. Personificando o mais puro deboche, como se incorporasse em cores toda a rebeldia que viria nos anos seguintes, o inconformismo que alimentava aquele som encontrou seu símbolo. Mas esse foi só o início da mudança.

Nascido no berço do movimento hippie, o Grateful Dead lançou em 1965 o álbum que mudaria o Rock de muitas formas, inclusive quanto a seus símbolos. "A música deles", escreveu Lenny Kaye, guitarrista de Patti Smith, "alcança níveis que a maioria dos outros grupos sequer sabiam da existência."
Nascido no berço do movimento hippie, o Grateful Dead lançou em 1965 o álbum que mudaria o Rock de muitas formas, inclusive quanto a seus símbolos. “A música deles”, escreveu Lenny Kaye, guitarrista de Patti Smith, “alcança níveis que a maioria dos outros grupos sequer sabiam da existência.”

A caveira pegou gosto pela coisa. A partir de 1968, com o nascimento do Black Sabbath, arriscou uma parceria com Ozzy, Tommi, Bill e Geezer, cuja intimidade com o ocultismo talvez tenha sido o estopim da revolta dos católicos mais conservadores com o Rock n Roll.

A verdade é que isso pareceu só servir pra fortalecer o movimento. Quanto mais se anunciava que o Rock era coisa do demo, que seus símbolos, músicas, letras e mensagens deveriam ser proibidos aos jovens, mais gente queria vestir, cantar e assumir suas caveiras, cruzes, estampas escandalosas e outros “abusos” que faziam as beatas tremerem nas bases. E não é assim até hoje?

Originalmente uma banda de blues rock, o Black Sabbath começou a incorporar ocultismo e histórias de terror em suas letras. Apesar desses dois temas serem comuns, eles também compunham canções que tratavam de instabilidade social, corrupção política, os perigos do abuso de drogas e profecias apocalípticas resultantes de guerras.
Originalmente uma banda de blues rock, o Black Sabbath começou a incorporar ocultismo e histórias de terror em suas letras. Apesar desses dois temas serem comuns, eles também compunham canções que tratavam de instabilidade social, corrupção política, os perigos do abuso de drogas e profecias apocalípticas resultantes de guerras.

A lista parece não ter fim. O próprio Iron Maiden quando trouxe Eddie the Head pro palco estava subliminarmente imortalizando a banda com uma caveira-zumbi. Misfits, Metallica, Megadeth e até o Charlie Brown Jr já apostaram na caveira em seus trabalhos.

Até então o mundo parecia ter se esquecido de refletir sobre a representação da caveira. Escondidos pelo medo superficial da morte, rotulamos materiais nocivos e venenosos com ela. Como algo tão negativo (e para alguns até satânico) poderia ter sido um estandarte de força e supremacia pra tantos povos da antiguidade? 

Um desses simbolismos mais marcantes é conhecido até hoje como a danse macabre (em português, a ‘dança da morte’). É uma alegoria da Idade Média que serviu de base e até ideologia para muitas obras na literatura, pintura, escultura, gravura e, claro, na música.

Basicamente expressa o que foi chamado de universalidade da morte, uma forma simbólica e poderosa de dizer que não importa o status social, econômico, de beleza, poder, raça ou religião das pessoas em vida. Somos todos iguais perante a morte. Arrepiou aí? Foda.

É algo que já serviu de inspiração recentemente pros brasileiros da banda Scalene. Uma das principais músicas de trabalho dos caras leva o nome dessa alegoria e diz:

“Sou o começo e o fim
O que há de bom e ruim
Um pedaço de ti”

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Fica impraticável existirem coisas como racismo, homofobia, misoginia e outras formas de intolerância quando pensamos na caveira. Ela é uma verdade que não pode ser ignorada e isso nos obriga a refletir.

Cara, isso me lembrou demais uma entrevista do Morgan Freeman que de tempos em tempos aparece compartilhada na minha timeline.

O entrevistador pergunta pra ele: “Como acabar com o rascismo?” e ele responde, efusivo: “Quer acabar com o racismo? Pare de falar dele. Você precisa parar de me chamar de negro e eu de te chamar de branco, só isso”. Porque, afinal, é tudo gente. No momento em que entendemos isso, não existe nem mais o que discutir.

Parece até absurdo que ainda hoje a gente encontre tanto preconceito no mundo do Rock, mas é uma triste verdade. Um estilo que sempre vestiu e reforçou símbolos de transformação, igualdade e rebeldia. Sim, se você não entende isso, tira essa caveira que você não é Rock.

O sucesso da caveira não está preso ao medo e vai muito além da provocação. Está incrustado na própria ideologia desse que é o estilo de vida do Rock: a constante necessidade de mudança, de criação e renovação, de virar tudo do avesso e dizer “não, eu não aceito ficar parado”, “o meu medo é ter sossego”.

Foi nessa toada que criamos nossas próprias alegorias aqui, que agora chegam pra renovar o catálogo e apresentar uma nova forma de vestir as caveiras.

De cara, resolvemos passar dos limites e permitimos que todas as caveiras, não só humanas, mas de animais e outras figuras enigmáticas tomassem nossas iniciais, dando origem à mais democrática caveira de todas, a S.R.

Esse pensamento não saiu da nossa mente e buscamos até em referências do Tarot uma carta que deveria existir mas até então não havia sido criada: The Guitar God, patrono maior do Rock n Roll.

Como assim? Isso é coisa do capeta! Não, não é, mas a história escondida nos símbolos do fogo, chifres e sigilos eu te conto uma outra hora.

Esse recém invocado Deus da Guitarra dominou nossos pensamentos nas últimas semanas e nos lembrou de uma importante verdade sobre tudo o que é sagrado e mundano: All Saints Were Sinners.

Seus heróis também já foram pessoas comuns. Seus santos já foram homens e mulheres tão humanos quanto você e eu.

Por isso, quando colocamos asas e auréolas convivendo com chifres e fogo, existe uma mensagem profunda de dualidade, união e força.

Atendendo à pedidos (sim, ouvimos muito o que a galera pede!), nessa coleção apresentamos uma variedade maior em cada ideia. Versões em preto e branco, coloridas e monocromáticas, a escolha agora depende de você.

Só preciso te lembrar que os estoques são bem limitados, principalmente em coleções como essa, que expressam um momento tão particular que vivemos, de transformação, crescimento e rebeldia contra a mesmice até do mundo da moda.

No fim das contas somos só um saco de ossos e isso é ótimo. Humildade a níveis esqueléticos, mas que ainda causa divisão entre as pessoas. Algumas olham pras caveiras e pensam no macabro, outras no sagrado.

Céu e inferno, bem e mal, Santo e Rock.

Se você compreende essa visão, compartilhe a ideia com amigos e familiares, é um assunto perfeito praquela pausa pro café.

Precisamos refletir mais sobre o que compramos, vestimos e defendemos. Da próxima vez que você ver uma caveira na rua, vai pensar em muito mais coisas do que simplesmente na modinha.

Vista isso.

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About Demiro Ferrari view all posts

Entre seus grandes feitos já enfrentou uma multidão pra ver os Rolling Stones em Copacabana e dirigiu de San Francisco a Los Angeles só pra conferir uma banda cover do Doors no Whiskey a Go Go. Lamenta não ter visto James Brown ao vivo e acredita que os vícios fazem parte das virtudes assim como os venenos dos remédios.

1 Comment Join the Conversation →

  1. Euclides Arruda

    Quero aqui deixar o meu PARABÉNS à equipe do Santo Rock pela reportagem, sim, REPORTAGEM, pois isso me pareceu um estudo profundo do significado de SER ROCKER! E: morte às caveiras que vivem em todos nós!

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