Rock is my Religion: Testemunhe 3 milagres que tornaram o Rock nossa religião!

Hey, rocker!

Hoje queria falar contigo sobre a força sobrenatural que nos molda o caráter, o estilo de vida e até a fé. O resultado foi ao ar anteontem com a coleção Rock is my Religionjá deu uma olhada? 

Aqui no Santuário muitas vezes nos vemos divagando sobre que diabos estamos fazendo. Trabalhar com Rock em um país que o considera somente um estilo musical “gringo”? Investir em pesquisa e conteúdo, quando no fim das contas somos “só” uma loja e não uma biblioteca?

Isso é loucura! O Rock está morto! Já era, já foi!

Pois é… é bem assim que os infiéis blasfemam, enquanto nós ralamos todo dia pra espalhar a Palavra por esse Brasilzão.

Por alguns anos achei que estava sozinho nesse caminho de devoção. Questionei minha fé, minha sanidade (quem nunca ouviu a mãe dizer “isso é só barulho”?).

Será que os milagres que vi e ainda vejo acontecer pela história do Rock foram apenas fatos comuns?

Você aí (sim, cara, você!) conhece os fenômenos de cura, ressurreição e da realização do impossível que o Rock já operou desde a sua criação?

É o que vou revelar agora.

Tenho fé de que tudo isso faz sentido e que você, que nos acompanha há algum tempo, já deve ter percebido a diferença que essa crença faz em nossa própria razão de ser.

É aí que os rótulos de “loja”, “marca” e “empresa” se confundem com a nossa vocação de “rockers”, “amigos” e “malucos”.

Pra entender a natureza desse dilema (já que pro mercado é um paradoxo você ser um vendedor de sucesso e um amigo verdadeiro ao mesmo tempo), voltamos nossas preces ao santo Rock.

Que milagre é capaz de converter moleques desmiolados em servos fiéis dos mistérios da música? Que evangelho é esse que recitamos em uníssono por estádios, casas de shows e até em rodas de violão?

Cara, não é só música. Pera, deixa eu reforçar essa parada: Cara… não é só música!

Eu adoro samba, eletrônico e groove (pelo amor de Dio, não se atreva a me chamar de algo intragável como “eclético”!), mas não existe força que me segure quando ouço aquela microfonia açucarada da guitarra no início de um show, prestes a explodir.

As pernas me falham, o coração perde o compasso e só se recupera com a batida do bumbo alguns segundos depois. Posso te dizer com convicção que é uma experiência de quase morte. 

Aconteceu comigo quando vi o Velvet Revolver (meu primeiro encontro com o arcanjo Slash) junto do Aerosmith em 2007 (esse ano tem mais!), no templo sagrado do Morumbi (OK, palmeirenses e corinthianos vão me matar agora…).

Tyler e Perry juntos. Precisa de mais?

E aconteceu novamente quando atravessei o mar de carros de uma São Paulo caótica em horário de rush (meu amigo, minha amiga… se você sabe o que é essa cidade às 18h, não tem como não acreditar em milagre), só pra conferir Buckcherry e Mötley Crüe em 2011, no Credicard Hall.

Nikki Six mais à vontade que eu em dia de open bar.

Algo me intriga nessa relação que temos com o Rock. 

Talvez seja a natureza divina e, ao mesmo tempo, tão humana dos nossos deuses. Afinal, como uma pessoa normal conseguiria, só com treino e estudo, tocar como Eric Clapton?

A CURA


O incrível da história dele não está só na técnica, mas na provação que sofreu ao enfrentar a morte de seu filho, de 4 anos de idade. A queda do garoto de um prédio de mais de 50 andares chocou o mundo e derrubaria qualquer um de nós.

Tenho certeza de que dilacerou uma parte profunda do Clapton. Que pai não morreria por dentro? Ainda assim, com a música Tears in Heaven, fez seu tributo a ele e à decisão firme de não se entregar ao vício da bebida ou das drogas novamente.

É o milagre da cura em nome do Rock n Roll.

Eric Clapton, no Unplugged de 1992.

Mas não é só na tragédia que encontramos o valor das coisas, que conseguimos tirar um tempo pra entender o mundo em que vivemos.

Na minha adolescência aprendi que existem 3 coisas que não tem remédio: a morte, a ganância humana e o ego de Axl Rose.

A RESSURREIÇÃO


Cresci em uma época decadente e pós-apocalíptica pra música, também conhecida como fim da década de 90. Havíamos acabado de passar pelo cataclisma que foi o Guns n Roses, então imagine a nossa desolação por ver tudo ruir nos anos seguintes.

Hoje talvez seriam maiores que os Rolling Stones ou tão influentes quanto os Beatles. Mas a trajetória da banda mais perigosa do mundo inevitavelmente os levou aos braços da morte.

Os anos se passaram e a reclusão de Axl com o Chinese Democracy me tiraram as esperanças. Cheguei a esbravejar em roda de bar que era tão impossível ver o Guns reunido quanto Freddie Mercury levantar da tumba, assumir os vocais do Queen e fazer uma tour mundial.

Pois é, juventude, pega essa.

Em 2016 presenciamos o impossível acontecer novamente, com Axl Rose renascendo das cinzas, trazendo Slash e Duff de volta. Não parou aí e, como bônus, vimos o cara abraçar o AC/DC como se fosse um vocalista humildão, realizando um sonho de infância.

Não me importo com as críticas e poréns: o Guns está de volta do mundo dos mortos, porra!

É o milagre da ressurreição em nome do Rock n Roll.

Apesar das críticas de que esse não é o Guns n Roses verdadeiro por não ter alguns membros cruciais como Steven Adler, Izzy Stradlin, Gilby Clarke ou Matt Sorum, porra, cara, deixa eu curtir.

Aí fico pensando: se houve um remédio pra morte do Guns e outro pro ego do Axl, talvez exista também alguma esperança pra ganância humana. Pense nisso.

O IMPOSSÍVEL


Se tem algo que me tirou o fôlego e fez acreditar que não existe nada que não possa ser feito, foi quando soube da história daqueles italianos malucos. Os caras reuniram mais de 1000 pessoas na cidadezinha de Cesena, só pra tocar Learn to fly do Foo Fighters.

Fuckin’ mil pessoas, cara!

Você tem noção de dificuldade que é conseguir que 50 amigos colem num bar na sexta-feira a noite pra ver um show seu? Quem tem banda sabe (aliás tem show da minha aqui em São Paulo nessa sexta, se tiver à toa, corre lá!).

Imagine então levar tanta gente assim pro meio do mato com cabos, instrumentos, cabos, caixas de som, cabos, mesas de som, cabos, cabos, cabos. Onde que liga tanto cabo, meu deus? Como que faz pra todo mundo tocar certo ao mesmo tempo?

É o milagre da realização do impossível em nome do Rock n Roll.

Fico imaginando a treta de reunir 1000 italianos pra tocar uma mesma música numa cidadezinha da Itália. Por serem 1000 pessoas, por ser no meio do mato e, claro, por serem italianos (brincadeira, vô!).

São tantos exemplos que poderíamos facilmente passar o dia inteiro louvando, mas é melhor eu parar o sermão por aqui. Fica a nossa homenagem com a coleção Rock is my Religion a esse caminho glorioso que chamamos de Rock n Roll.

Lembrando que as tiragens de lançamento são limitadíssimas e nem todos os produtos voltam para um reprint, ein. Então corre pro site que posso te dizer de coração: a coleção tá linda demais e já tem coisa acabando!

Que Dio te abençoe.

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Entre seus grandes feitos já enfrentou uma multidão pra ver os Rolling Stones em Copacabana e dirigiu de San Francisco a Los Angeles só pra conferir uma banda cover do Doors no Whiskey a Go Go. Lamenta não ter visto James Brown ao vivo e acredita que os vícios fazem parte das virtudes assim como os venenos dos remédios.

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