Como seria o mundo sem os deuses do Rock?

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Hey, rocker! Tudo bem?

Já imaginou o mundo se os deuses do Rock nunca tivessem nascido?

Não exatamente de todos os deuses do Rock n Roll, mas de 6 em especial. São aqueles que homenageamos com a coleção Santo Rock Limited Edition, lançada no último Dia do Rock. Quer dar uma olhada?

Foi profetizado pelo Metallica que os quatro cavaleiros do Apocalipse estão à espreita, mas graças a Dio essa catástrofe nunca aconteceu. Nossos deuses caminharam (e ainda caminham) entre nós, transformando o mundo em que vivemos. E isso eu posso provar.

Alguns de nós são jovens demais pra lembrar, outros velhos o suficiente pra nunca esquecer.

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Temos um legado riquíssimo pra explorar por toda essa vida, fruto de obras verdadeiramente sagradas que nos amparam nos momentos de angústia pela manhã, quando vamos de casa até o trabalho (você sabe que é dureza!).

Nas horas de solidão, quando ficamos até tarde tentando resolver um problema pra aula do dia seguinte (haja coração!).

E, claro, nas noites de euforia, quando nossas cabeças tentam desgrudar do pescoço, os corpos se descontrolam e a cerveja se multiplica como se fosse o vinho e o pão da bíblia (com a diferença daquela continha salgada no fim da balada).

Pra alguns pode parecer besteira, mas não é!

Os deuses influenciaram nossas vidas muito além do que geralmente lembramos ou somos capazes de perceber. No post Os últimos passos de Kurt Cobain deu pra sentir na pele como foi ver hoje essa Seattle tão envolvida com a obra do Nirvana.

E, inevitavelmente, o quanto ela não seria a mesma sem as minúcias que atraem tantos fãs ano após ano.

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Talvez o mundo fosse muito mais complicado e presunçoso, sem a energia crua e visceral que Kurt trouxe à nossa superfície. E, não, não podemos ficar só nas camisas de flanela xadrez e guitarras sujas.

Kurt provou que é possível fazer muito com pouco.

Sabe aquela máxima de que menos é mais? Tem tudo a ver com isso. A simplicidade orgânica supera qualquer tentativa forçada de colocar a arte em um pedestal. 

Em outras palavras (e com gritos que vinham das roucas profundezas do ser), Kurt nos presenteou com seu espírito intenso e vívido, que habitava sob a pele de um ser complexo e perturbado. 

É algo tão próximo do que vemos nesse cotidiano mundano que às vezes me assusta.

A imagem de Cobain é, em todos os sentidos, um espelho que precisamos olhar diariamente pra nos lembrar de que um dia fomos uma criança livre e sonhadora, que o tempo e a mesmice tentam calar.

Lembrar que a pressão do dia-a-dia e até o sucesso, vejam só, podem nos sufocar.

Abandonar essa criança e viver conformado é mesquinho, é falhar consigo mesmo. É desistir antes de realizarmos as coisas de que somos capazes. E isso não é auto-ajuda. 

Dio me livre de reduzir essa reflexão a isso

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Artistas natos sobrevivem à escuridão de um mundo doente, vivendo intensamente até seus últimos dias. Mas, apesar do fim trágico, sempre haverá beleza e empatia em seu legado.

Empatia. Preste atenção nessa palavra ao entrar em comunhão com a obra dele. Toda a fúria e a perturbação dolorosa eram a sua criança, clamando intensamente por uma vida mais verdadeira e honesta.

“Um mundo sem Kurt Cobain é um lugar onde a arte e as pessoas não tem valor, são plastificadas”

 

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Nossa viagem continua, agora deixando os EUA e indo direto para o Reino Unido. Prepare-se pra tremer nas bases: como pensar um mundo sem os Beatles?

Das influências na moda, música, arte, comportamento (cortes de cabelo? Yeah, yeah, yeah!), vestuário e tantos etc que entupiriam essa página. Das mudanças que o mercado fonográfico foi obrigado a fazer e até o financeiro ao longo dos anos.

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Sabe aqueles exercícios filosóficos quando a galera tenta imaginar como seria se Hitler tivesse ganhado a Guerra? Ou se EUA e URSS concretizassem um ataque naquele dia fatídico na baía dos Porcos, com Cuba testemunhando o início do fim? Pois é.

Esse é o mundo onde Lennon nunca encontrou McCartney. Onde “beatles” ainda seriam só besouros. 

É fácil relevarmos os detalhes. Quando tudo o que você precisa é amor, quando sabe que aí vem o sol, ou até quando pede ajuda porque precisa de alguém (mas não qualquer um). Mas qual a importância dessas palavras?

São por elas que hoje a humanidade se expressa, até como civilização. Duvida?

A canção Across the Universe foi a primeira música transmitida diretamente ao espaço pela Deep Space, uma rede de antenas da NASA.

Antes de atingir seu destino final, a Estrela Polar na galáxia de Polaris, a música tem uma jornada longa pelo universo: 431 anos. Mas por quê ela? Por quê Lennon?

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Porque os Beatles e a obra de Lennon estão tão incrustadas em nosso modo de pensar e nos expressar, de forma tão natural que é até óbvio (ou cliché) concluir que uma música deles possa nos representar, cruzando o universo.

“Um mundo sem John Lennon é um lugar onde as pessoas não sabem como se expressar na busca por um mundo melhor”

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No começo desse ano, quando perdemos Bowie quase ao mesmo tempo em que recebíamos a bênção do Blackstar, senti que perdemos mais do que o óbvio.

O post We can be heroes: o adeus de David Bowie causou um impacto maior aqui do que sequer poderíamos imaginar. E por quê?

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Veja bem, não sou um especialista no camaleão, mas até eu que nasci no Hard Rock, me criei no Heavy Metal e atingi a maturidade no Grunge, não posso esconder as sensações e reflexões que a música, a arte e a expressão de Bowie me causaram. Causam ainda hoje. E tenho certeza: causarão a cada novo play.

Como conceber a realidade de um planeta se esse ser (que é claro que veio de outro mundo) jamais tivesse passado por aqui?

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Você provavelmente acharia que Rock n Roll é só um gênero musical, ignorando a amplitude do estilo de vida, de expressão, de personificação. Bowie foi o primeiro artista a permear por praticamente todos os subgêneros do Rock, indo do folk (The Man Who Sold the World) ao rock industrial (Hearts Filth Lesson), acredita?

Não é pra menos que ele é considerado o verdadeiro camaleão do Rock.

Um “Best of” do cara não existe sem passar da guitarra rasgada (como Rebel Rebel) por baladas românticas (como As The World Falls Down) a até discomusic-anos-70-com-coral-gospel (Young Americans).

Tudo criado e executado com maestria, como sempre. 

bowie facesSe isso não é talento multicultural, me queime na fogueira hoje mesmo, porque devo ser um herege. Apenas seres abençoados e livres dos estúpidos preconceitos mundanos podem ser como ele.

“Um mundo sem David Bowie é um lugar onde criatividade e diversidade são palavras soltas em um dicionário empoeirado”

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É agora que precisamos mergulhar mais fundo nessa viagem. Não estamos falando mais de um lugar físico, mas de um pedaço da alma do poeta. Existe algo de belo no sombrio e misterioso na noite que sempre me fez achar que Doors tinha algo escondido.

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Tenho amigos que simplesmente não suportam 30 segundos deles. 

Pessoas que não gostam de Jim Morrison, dizendo que ele era chato demais, boêmio demais, bonitão demais (opa, ato falho?). Ao que, com a mesma intensidade, já vi pessoas que só faltam montar um altar na sala com vela e santinho em louvor a São Morrison.

Como explicar isso? Que relação é essa de amor e ódio com o Rei Lagarto?

A beleza sombria em lamúrias da alma acalentada em si
Um lobo uivante sob a lua cheia na madrugada
A intensidade dos dias e as noites de boteco
A rebeldia inata da língua

O fim, meu amigo, o fim. 

Não estamos falando somente de obra ou arte. Falamos de algo que tem a ver com atitude, mas talvez a palavra mais correta seja encantamento. Rebeldia e inocência em um mesmo olhar, cativante.

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Jim Morrison jamais seria saudável em um mundo doente. Jamais seríamos capazes de ver no Rock uma extensão das artes cênicas e da poesia. A estranheza mística no som do Doors é como um mantra, que ecoa junto às nossas súplicas mais profundas.

E olha que hoje eu nem tomei nada. Ainda.

Mas sem viajar demais (eu sei, às vezes eu me perco na imaginação): essa rebeldia poética traz consigo um senso de liberdade incomum, que rompe os padrões e deixa marcas no tempo.

É a cultura do Rock n Roll em sua forma mais pura.

Fica fácil sentir isso quando você coloca Riders on the Storm pra tocar em um dia chuvoso (ou enquanto joga Need for Speed Underground 2 – quem viveu, sabe). Ou quando, no fim da balada, já bêbado e torto a ponto de cair, ouve o chamado escondido em Whiskey, Mystics and Men.

É a necessidade de libertação que nasce em Break on through (to the other side), queima em Roadhouse blues e, finalmente, se abranda em Light my fire.

Aos que sonham acordados em suas ações, aos que enxergam o mundo como ele não é e aos que não se conformam com o banal, sempre em busca por mais e mais: Let it roll, baby, roll! All night long.

“Um mundo sem Jim Morrison é um lugar onde linhas retas e racionalidades acorrentadas imperam, tirando o brilho prazeroso dos nossos sentidos”

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Já estamos chegando ao fim da nossa viagem, mas sempre que penso em Lemmy Kilmister ainda fico impressionado com a resiliência do bom velhinho (por mais que o maldito dezembro de 2015 tenho tirado o padrinho do Rock de nós).

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Foi o profeta Steven Tyler que cravou a frase que finalmente quebrou aquela máxima estereotipada. “Sexo, Drogas e Rock n Roll: livre-se das drogas e você terá muito mais tempo para os outros dois“. 

Ainda assim, uma vida de abusos não foi capaz de apagar Lemmy da história, o roadie mais famoso de todos os tempos (cuja única droga era o álcool, mas ainda assim, uma droga).

Alguém que já serviu ao todo poderoso Jimi Hendrix não poderia ser menos que espetacular.

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Foi o que aprendemos quando compilamos As 7 lições mais inspiradoras de Lemmy Kilmister há algum tempo. Sabe o Big4? Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax? Esquece. Punk Rock? Já era. David Grohl, o cara-mais-legal-do-rock? Bah, seria só um magrelo cabeludo perdido em Washington.

Mas tem um jeito melhor de demonstrar isso com mais clareza. Com a palavra, Mr. Kilmister, o primeiro e único Ace of Spades:

É desse tamanho todo a importância do velho rocker, que não contente com o volume do baixo, transformou o clássico instrumento em um verdadeiro devorador de guitarras. 

“Um mundo sem Lemmy Kilmister é um lugar sem superação, onde as pessoas aceitam caladas as porradas que a vida dá”

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Mas agora chegou a hora que talvez você me pergunte: “Que diabos Keith Richards está fazendo nesse panteão? Ele ainda está vivo! Vocês estão decretando a morte dele, é isso?

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Como poderíamos? Como bater esse invencível imortal?

A verdade é que Keith Richards não precisa morrer pra ascender aos céus. Assim como Mick Jagger, Bruce Dickinson, Jimmy Page, Ozzy Osbourne, Paul McCartney e algumas outras divindades, sua missão ainda é caminhar entre nós, talvez pra nos lembrar de que o legado de um deus do Rock é construído todos os dias, até o dia da sua morte.

1435921076570-anigif_enhanced-5305-1392248612-12Um branquelo beberrão que, em uma época onde dar espaço a um negro era uma ofensa tremenda, chamou de babacas os que diziam que Rock era pra brancos e Blues pra negros.

Um cara que tornou possível a improvável aparição de Howling Wolf na televisão, que até então ignorava sua existência (se você não sabe o que é Howling Wolf, corre agora pro youtube!).

Mas isso nunca fez de Keith Richards um ativista. Pra falar a verdade, o que sempre me impressiona nele é a capacidade de não se importar com nada enquanto consegue fazer com que tudo importe.

Lúcido e livre, ainda que mais enrugado que um maracujá de gaveta.

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Que heresia! Como que alguém “acabado” ainda roda o mundo como se fosse um moleque? Só mesmo um deus vivo, claro, em nome do bom e velho Rock n Roll.

“Um mundo sem Keith Richards é um lugar que não sabe o real significado do sentimento de liberdade social, de crença, cultural e musical”

KEITHQue Dio nos livre desse lugar desolado.

Esse vale de sombras e abandono.

Um abismo onde Kurt, Lemmy, Bowie, Keith, Lennon e Morrison nunca subiram ao palco.

Amém.

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Entre seus grandes feitos já enfrentou uma multidão pra ver os Rolling Stones em Copacabana e dirigiu de San Francisco a Los Angeles só pra conferir uma banda cover do Doors no Whiskey a Go Go. Lamenta não ter visto James Brown ao vivo e acredita que os vícios fazem parte das virtudes assim como os venenos dos remédios.

1 Comment Join the Conversation →

  1. Andrey K.

    Imagine então se não tivesse havido Elvis… Tudo bem que não foi ele que inventou o rock, mas foi ele quem ajudou a quebrar a barreira segregatória de uma América racista na qual, sem ele, artistas negros não teriam feito o mesmo sucesso. Então, assim como o rock não teria ido pra frente, também não teria quebrado paradigmas sociais, não somente de cunho racial, mas de uma forma geral (vocês conseguem pensar nas revoluções culturais dos anos 60 sem o rock dando força? Os movimentos de liberação feminina, o lema de amor livre?).

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