Black Sabbath: Testemunhe o fim!

Hey rocker! Tudo certo?

Acordei com um sentimento de que estamos vivendo um período único na história do Rock. Sensacionalista demais ou topa mergulhar em uma viagem insana sobre o Black Sabbath?

Caso não esteja se aguentando e queira saber logo o que preparamos, clique aqui. Agora, se você (como eu) prefere entrar no clima antes de saborear uma novidade, vem comigo.

Temos a mania de achar que nada acontece de histórico nessa nossa época passageira, insossa. Que as pessoas vão olhar pra trás e pensar “OK, é só isso?”.

A história do mundo, assim como a nossa, não é só um amontoado de acontecimentos. Entre saudosismo, trauma, revolução e criação, existem momentos inspiradores, que podem servir de início e fim pra muitas pessoas. Até mesmo coisas que nem vivenciamos, mas que mexem com as nossas vidas.

Você não viveu a Segunda Guerra Mundial, nem a invenção do avião, muito menos aquele Woodstock em 1969. Ainda assim são coisas que mexem muito com a gente.

Eu sei, é difícil imaginar o impacto real que hoje terá ou deixará de ter nas gerações futuras. Mas pra dizer a verdade, se você for pensar bem, não interessa. Sabe por quê?

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Pra te explicar o “porquê” de uma maçã existir eu teria que dissecar a origem dela, da macieira, dos elementos, acidez, doçura e toda a questão científica de como ela chegou a ser o que é. O abismo não tem fundo e talvez relativizando tanto aquela maçã, eu me esqueça do que realmente interessa: o sabor e as lembranças que o cheiro dela ativam na minha mente ou na sua.

A mente tem poder, então use-o. A little less conversation, a little more action, please.

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É assim que nos encontramos aqui, nesse momento, testemunhando o último ritual sagrado do Sabbath. Ele não vem traumático como o fim do Motörhead, do Bowie, ou anunciado friamente como o Mötley Crüe. Vem com um peso de apoteose e ainda sim como aquela mudança que você não quer ver e, ainda assim, não pode evitar.

Eu não preciso me distanciar desse acontecimento pra saber que ele, por si só, é um marco na história. Você também não precisa.

Mesmo o Sabbath não estando completo como poderia, é preciso agir, sentir, escapar desse blá blá blá que enche as timelines e comentários que vemos por aí. Cara, o Guns n Roses não está completo “como poderia” e olha a força que ele ainda é com esse retorno.

Você ganha mais vivendo o momento do que se acorrentando às minúcias.

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O último show do Black Sabbath está pra passar por aqui como um cometa que não pode ser ignorado.

Assistir isso ao vivo será o meu próprio ritual de encerramento de uma fase que durou quase 50 anos nesse planeta. Também deveria ser o seu, mesmo que não possa estar presente em uma das noites. Do Paranoid que invadiu a minha infância em Rock n Roll Racing (oh yeah, babe!) até a surpresa do retorno deles há alguns anos com God is dead?, não importa: é quase impossível não encontrar uma canção que tenha cruzado a sua trajetória.

Uma história que começou em Birmingham, Inglaterra (sim, a mesma cidade do Judas Priest!). OK, eu poderia recontar a velha história de como Tommy Iommi perdeu a ponta dos dedos e como essa tragédia também o ajudou a criar a sonoridade tão inovadora das guitarras do Sabbath. Mas apesar de incrível, essa história não esclarece o sentimento que me toma ao pensar na relevância dessa banda e o mistério maior: como uns moleques metidos com jeito de bruxos mudaram o mundo?

Além da técnica, do timbre, do som. Além da tradição e da história. Existe algo de inocente e sincero por baixo da capa preta e cruzes de prata penduradas.

Precisamos voltar e reviver o nascimento da lenda. Bora?

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Aquela coisa: anos 60, cidade pólo industrial de sua majestade, a Rainha. Tempo nublado, fábricas, vida dura. Um caldeirão perfeito pra forjar as melhores bandas de heavy metal do futuro (o nosso presente).

Nada é por acaso e quando você pensa que bandas como Iron Maiden, Saxon e Def Leppard saíram de ambientes similares, a coisa faz bastante sentido.

É desse cenário operário, amansado pelo futebol e rixas entre hooligans, que John Michael Osbourne (Hello, Ozzy!), vivia a plenitude da juventude inglesa da região: andar com sua gangue, contra outras gangues, com cerveja em abundância descendo pela garganta e correntes em punho, pronto pra tudo.

Um tipo de energia furiosa que clama por um escape: dentro ou fora da lei.

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Violência canalizada em forma de expressão, que um dia viraria música.

Em entrevista, já na década de 90, Ozzy abordou isso com o bom humor e ironia de sempre: “Eu nasci e vivi, durante muitos anos, num lugar em que a vida era trabalhar, trabalhar e trabalhar, do berço à sepultura, em fábricas de chapa de aço – e quando você queria comer algo diferente, não tinha opção: era ir pra dentro do mato caçar esquilos, veados e toda a sorte de bichos do mato para comer. Eu comia todos aqueles Bambi, cara – eu cansei de comer os bichinhos do mato, hahaha!”.

O crime acabou acontecendo, o que já era de se esperar. Mas o negócio da gangue de Ozzy não era a violência, nem grandes assaltos. Tinha mais cara de “ladrão de galinha”, roubando miudezas e outras besteiras, principalmente de vitrines de lojas. Foi exatamente assim, depois de um “trabalho” atravessado, que Ozzy se deu mal.

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Era setembro de 1966. A gangue quebra a vidraça de uma loja, chama a atenção e a polícia é acionada. Enquanto eles fazem a festa entre as roupas e acessórios de alto nível do lugar, um dos caras alerta: “Corre, galera! Polícia na área!”.

A correria é disparada. Ozzy fica pra trás e facilmente é cercado por policiais, recebendo voz de prisão em um dos becos da região. A prisão poderia ter ficado em uma advertência e multa, como acontecia com tantos jovens na época. Mas com Ozzy as coisas sempre são um pouco mais “diferentes” que o normal, você sabe.

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Horas depois, já na delegacia mesmo com a defesa montada, uma surpresa: Ozzy havia sido ligado à outros roubos. Mas como? A resposta veio rápido e clara como água de nascente: durante os assaltos, ele usava luvas com as pontas dos dedos descobertas.

O ingênuo príncipe das trevas nem imaginava o que seriam impressões digitais. Nas palavras dele: “Eu sei lá que raios eram as tais impressões digitais. Nem sonhava que diabos deveria ser aquilo! Usava luvas sem pontas porque era legal, todo mundo usava… Pra mim, impressões digitais eram algo de computador, algo relacionado à eletrônica, alguma desgraça dessas!”

É na penitenciária que Ozzy faz algumas “boas” amizades, compartilhando a sabedoria das ruas: métodos de arrombamento, cuspe à distância, novas técnicas de ejaculação, emissão de diferentes sons via arroto, além de outros talentos únicos.

A recompensa veio logo e foi durante um dos banhos de sol que Ozzy aprendeu uma técnica que contribuiria muito para o mito que se formaria em torno de sua imagem anos depois: a tatuagem.

Com um pequena agulha e um generoso pedaço de grafite, Ozzy se paramentou com os símbolos que iriam povoar os corpos de tantos fãs de heavy metal pelo mundo: o O-Z-Z-Y nos quatro dedos da mão esquerda, as “carinhas alegres” nos dois joelhos feitas de cabeça para baixo. Segundo ele, era pra que todos os dias de manhã lhe dessem “bom dia”. A cara dele isso.

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Esse é o Ozzy que está aí, há décadas levantando a bandeira do Rock como se não envelhecesse. É esse o Ozzy que comanda o ritual de encerramento da maior banda heavy metal de todos os tempos.

São momentos não tão grandiosos como esse que me trazem uma pista sobre o que é o Black Sabbath, de onde vem essa força verdadeira que é uma das fundações da música que tanto amamos. Fique à vontade para escolher o seu, essa é a beleza da coisa.

E não se preocupe: não estou me esquecendo de Tony Iommi, Geezer Butler, Bill Ward, Ronnie James Dio, Ian Gillan, Glenn Hugues, Tony Martin, Dave Spitz, Bob Daisley, Laurence Cottle, Neil Murray, Vinny Appice, Eric Singer, Cozy Powell, Bobby Rondinelli, Geoff Nichols e tantos outros músicos lendários, roadies sobrenaturais e artistas incomparáveis que ajudaram a construir esse milagre que vemos se encerrar agora.

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Todos eles tem a marca do Sabbath cravada na história. Uma marca eterna, que vestimos agora pra testemunhar o fim. Ou seria um novo começo?

Está no ar agora a nova camiseta Flying Devil, em duas versões bem diferentes porque (sinceramente) não fomos capazes de escolher qual seria a melhor. Deixamos pra você essa decisão!

Clique aqui e confira agora.

Mas já aviso: lançamentos em homenagem às grandes bandas não tem durado muito em estoque e essa não terá mais reprint nesse ano. Então se pretende garantir esse manto pro último ritual do Sabbath, a hora é essa!

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Um abraço,

About Demiro Ferrari view all posts

Entre seus grandes feitos já enfrentou uma multidão pra ver os Rolling Stones em Copacabana e dirigiu de San Francisco a Los Angeles só pra conferir uma banda cover do Doors no Whiskey a Go Go. Lamenta não ter visto James Brown ao vivo e acredita que os vícios fazem parte das virtudes assim como os venenos dos remédios.

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