O primeiro fuck na TV americana

Fala, rocker! Tudo certo?

Hoje em dia é comum ver todo o tipo de bizarrice e insanidade na televisão (só não mais que nos anos 80 e 90, mas tudo bem). Mas isso nem sempre foi assim.

O que hoje pode ser considerado “comum” ou até mesmo “banal”, já foi motivo de tretas e polêmicas no que diz respeito à TV aberta. Se liga:

O primeiro “fuck” dito na TV

Há quase 48 anos, a vocalista do Jefferson Airplane, a maluca da Grace Slick, disse “fuck” na TV americana pela primeira vez na história.

Foi no dia 19 de agosto de 1969, um dia após o lendário Festival de Woodstock, numa apresentação no programa “The Dick Cavett Show”.

Na verdade, Slick cantou “motherfucker” na letra de “We Can Be Together” – o carro-chefe do radical álbum “Volunteers”, do Jefferson Airplane.

Confira no vídeo abaixo e acompanhe a letra (já deixei o vídeo no momento certo):

Up against the wall
Up against the wall Fred (motherfucker)”

Boca-suja em pró dos direitos civis

Por causa do padrão único de contrato da época em que a banda tinha completa liberdade artística para suas composições e gravações, a RCA acabou tendo que engolir tudo que a banda queria (incluindo certos “shit” e “motherfucker” nas letras).

Para a gravação de “We Can Be Together”, o “motherfucker” foi mixado baixinho, mas não foi realmente censurado. A letra e a música foram escritas pelo líder da banda, Paul Kantner, inspirado nos Panteras Negras (grupo de proteção dos guetos negros contra a violência policial, que chegou a pregar a luta armada) que usavam o slogan “Up against the wall, motherfucker” (“contra a parede, filho da puta”, por sua vez, uma frase que ativistas sempre ouviam da polícia e da guarda nacional durante tumultos comuns nos anos 60).

Aparentemente, Kantner plagiou parte da letra de um texto chamado “The Outlaw Page”, publicado no jornal underground “East Village Other”. O texto foi escrito por John Sundstrom, membro de uma gangue anarquista da região do Lower East Side, que se intitulava “Up against the wall, motherfuckers”. Texto que, por sua vez, foi inspirado no poema “Black People!”de Amiri Baraka.

Quem já leu o texto do “The Outlaw Page” declarou que a letra de “We Can Be Together” é uma cópia palavra por palavra.


Inadequado para um show familiar em rede nacional

Dois anos e dois dias antes de Grace Slick se consagrar a primeira “boca-suja radical” da TV americana, o The Doors viveu algo parecido e, se você já assistiu ao filme “The Doors” (de 1991), do diretor Oliver Stone, certamente conhece essa história.

Na tarde de 17 de setembro de 1967, o The Doors estava no Estúdio 50 da CBS ensaiando para se apresentar no The Ed Sullivan Show.

Um produtor do show entrou no camarim do Doors e disse ao grupo que eles precisavam mudar uma parte de “Light My Fire”, especificamente a letra em “Girl, we couldn’t get much higher” (“Garota, nós não poderíamos ficar mais altos”, no sentido de “ficar mais malucos”).

O produtor explicou que a palavra “higher” era inadequada para um show familiar em rede nacional por causa de sua associação com o uso de drogas ilegais.

We’re not changing a word!

Embora Jim Morrison fosse furioso e inflexível sobre não mudar a canção, o grupo cedeu e disse ao executivo que alteraria as letras como pedido. No entanto, assim que o produtor saiu da sala, Morrison declarou: “Nós não vamos mudar palavra nenhuma!”.

Você já imagina o que aconteceu, né?

Confira a apresentação do polêmico clássico “Light My Fire” no programa de Ed Sullivan (com a letra original) e repare no guitarrista Robby Krieger soltando um leve riso após o primeiro “higher proibido” sendo disparado por Morrison (aos 37 segundos do vídeo abaixo):


Fico imaginando se o South Park tivesse surgido nessa época rs

Gostou da matéria de hoje, rocker? Já conhecia essas histórias? Deixe seu comentário! ; )


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