Baixista de verdade não usa palheta

Fala, rocker! Tudo certo por aí?

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Felicitações, baixistas!

E hoje, 23 de junho, comemora-se o Dia do Baixista – integrante indispensável para toda e qualquer banda, principalmente de Rock N Roll.

Esses caras do vídeo aqui embaixo sabem do que eu estou falando:

Para homenagear os/as baixistas desse Brasilzão, resolvemos levantar essa polêmica que diz “baixista de verdade não usa palheta”.

E pra provar que isso não passa de uma besteira um mito, montamos uma playlist com baixistas fodões que tocam COM palheta!

Solta o som e confira abaixo a história por trás dessa polêmica:


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Então, separamos duas opções de estampas insanas pra te ajudar. Se liga:

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Entenda a polêmica

Existe um mito (será?) que paira em torno dessa máxima. Mas, por que será? Para entendermos de onde surgiu essa lenda, é preciso voltar um pouco no tempo primeiro.

O contrabaixo elétrico é um instrumento musical nascido do contrabaixo acústico, de orquestra – ou, como é apelidado no Nordeste, o “rabecão”.

Ainda sobre o “rabecão”

Não é exatamente uma regra, mas é quase uma tradição entre as bandas de rockabilly e psychobilly utilizar o contrabaixo de orquestra em suas formações.

Assim como a guitarra elétrica origina-se do violão,  para tocar estes instrumentos clássicos de cordas, não se fazia uso da polêmica palheta.


Nota do Wikipédia: A palheta ou plectro é um pequeno objeto de formato vagamente triangular, utilizado para se friccionar as cordas de instrumentos musicais como a guitarra ou contrabaixo. Existem diversos formatos e espessuras.


Descendo a mão

Logo, os primeiros entusiastas do contrabaixo elétrico proviam da arte do contrabaixo de orquestra e não utilizavam palheta.

O tempo passou a revelar grandes nomes como John Entwistle (The Who), Geddy Lee (Rush), John Paul Jones (Led Zeppelin), Geezer Buttler (Black Sabbath), Steve Harris (Iron Maiden), Billy Sheehan (Mr. Big), Flea (RHCP) e mais uma caralhada infinidade de nomes que fizeram história com o contrabaixo no Rock N Roll.

Nenhum deles, “palheteiro” – por assim dizer.

John Entwistle fritando na dedada

E é verdade que, em questões técnicas, existe uma gama de possibilidades para quem toca apenas com os dedos que não se aplica a quem toca com palheta. Mas, em relação a timbre e velocidade, o contrário também é válido.

Mas… e os baixistas que tocam com palheta?

Pois bem, rocker. Vamos lá!

Talvez um dos primeiros baixistas de destaque a tocar com palheta foi ninguém menos que Sir Paul McCartney.

Apesar de McCartney não ser propriamente um baixista*, é inegável o talento do beatle nas quatro cordas.

*Paul assumiu o contrabaixo nos Beatles por necessidade, já que nem o John ou o George o fariam

Suas linhas de baixo ultra melódicas são uma aula de bom gosto. Seu timbre opaco e gordo é marcante, assim como seus riffs e grooves discretos, porém sempre inteligentes. McCartney é referência para músicos maduros.

Para quem discorda, gostaria de destacar esse vídeo de um cover perfeito de “Hey Bulldog” num belíssimo Rickenbacker*.

*Apesar de Paul ser famoso por tocar tradicionalmente em um contrabaixo Höfner – um instrumento mais leve do que uma guitarra e que permite uma boa mobilidade -, ele gravou esse e outros sons num Rickenbacker parrudo

Mas Paul McCartney talvez não seja parâmetro para essa polêmica.

Além de seu leque criativo com mais de 52 cartas no baralho quando o assunto é composição e de ser multi-instrumentita (ele também toca violão, guitarra e piano – além de cantar, é claro), Paul também sabe tocar baixo sem palheta.

A CULPA É DE QUEM?

Imagino que o primeiro grande culpado pelo mito em questão seja o Noel Redding, o baixista da The Jimi Hendrix Experience.

Antes que alguém me atire aos leões, preciso deixar claro: sou muito fã do Noel e suas linhas de baixo nos álbuns da The Experience.

O ponto é que Noel era um guitarrista frustrado que acabou assumindo o contrabaixo para fazer parte da banda (afinal, quais as chances de alguém tocar guitarra solo em uma banda com Jimi Hendrix?).

Jimi Hendrix (à esquerda) e Noel Redding (à direita e ligeiramente fora de foco)

 

Noel foi rotulado como um baixista mediano que vivia à sombra de Jimi. E é claro, o uso da palheta deu a impressão de que seu papel na banda era apenas segurar a base (como em uma segunda guitarra) para Hendrix brilhar.

Mas eu discordo!

Ouça o baixo de Noel na terceira parte de “Fire”*. Essa linha é muito legal e tem um groove animal!

*Escolhi a canção por ser um hit clássico e conhecido, mas há muito mais do que este singelo trecho.

Técnica vs. Feeling

Alguns dirão que a culpa deste mito é da simplicidade do punk rock, que baixistas que tocam de palheta são limitados e blábláblá.

Será que isso é realmente verdade? Digo mais: será que isso é de fato importante?

Se a técnica se sobrepõe à sonoridade e ao sentimento, então podemos enterrar nossos heróis e abraçar às máquinas.

Nomes como Lemmy Kilmister (Motörhead), Gene Simmons (KISS), Duff McKagan (Guns N’ Roses), Roger Waters (Pink Floyd), Roger Glover (Deep Purple), Chris Squire (YES), Phil Lynott (Thin Lizzy), Rex Brown (Pantera), Jason Newsted (Metallica), Dave Ellefson (Megadeth), Peter Hook (Joy Division e New Order), Paul Simonon (The Clash), Mike Dirnt (Green Day), Matt Freeman (Rancid), Nate Mendel (Foo Fighters), a Kim Gordon (Sonic Youth) e a Sean Yseult (White Zombie) e D’arcy Wretzky (Smashing Pumpkins) – representando as mina – além de muitos outros estão aí pra provar que com ou sem palheta, o que importa mesmo é a música!

Basta ouvir à nossa playlist exclusiva em homenagem aos baixistas que tocam com palheta e tirar suas próprias conclusões.


SORTEIO ESPECIAL

E hoje, por volta das 17h, estaremos ao vivo pelo Facebook pra realizar o sorteio de uma camiseta à sua escolha + um prêmio exclusivo para baixistas!

Duff wants to be the winner

Um abraço e bom final de semana!

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Um verdadeiro colecionador de curiosidades. I can't get no satisfaction! Lennon disse: "a genialidade é um tipo de loucura". Sejamos insanos em nome do amor ao Rock n Roll. Prazer, Latorre! "O café tá pronto?"

2 Comments Join the Conversation →

  1. Roberval de O. Santos

    Prezado Caio,
    gostaria de pedir que adicione aos comentários neste Dia do Baixista o nome de um cara que segurava muito bem a onda no trio que acho indispensável na história do Rock, pois não tinham guitarrista. O baixista se chamava Mark Sandman e a banda “Morphine”. Creio que vale a lembrança, pois o som do baixo do Mark era muito bom mesmo !
    grande abraço

    Roberval Santos

    Reply
    1. Caio Latorre

      Seu pedido é uma ordem!

      Assisti o Morphine (sem o Sandman, infelizmente), na verdade o Vapors of Morphine, de graça em São Paulo dia 20 de setembro de 2014. Sou fã pra caralho da banda e da maneira única que o Mark tocava.

      Valeu demais pela sugestão, Rober!

      Reply (in reply to Roberval de O. Santos)

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