As 7 lições mais inspiradoras de Lemmy Kilmister

Hey, rocker.

O dia 28 de dezembro de 2015 foi um momento triste pra todos nós.

O ano quase terminado levou também Lemmy Kilmister, a voz e a alma do Motörhead. Não há dúvidas de que ele foi um dos maiores (e talvez um dos últimos) estandartes da atitude, rebeldia e cultura Rock n Roll de toda uma geração.

Andreas Kisser do Sepultura foi além e disse: “Lemmy era maior do que Jimi Hendrix”. Sim, ele foi uma lenda entre as lendas.

Na semana anterior ainda ríamos aqui de lembrar da festa épica de 70 anos dele que rolou no Whiskey a Go Go com a presença de figuras ilustres do Rock.

Cara… 70 anos chutando bundas não é pra qualquer um.

CHORA, CRIANÇA: Festa de aniversário no Whisky a Go Go com direito a jam com Slash, Robert Trujillo, Duff McKagan, Matt Sorum, Gilby Clarke, Billy Idol, Sebastian Back, Zakk Wylde, Scott Ian… quer que eu continue?
CHORA, CRIANÇA: Festa de aniversário no Whisky a Go Go com direito a jam com Slash, Robert Trujillo, Duff McKagan, Matt Sorum, Gilby Clarke, Billy Idol, Sebastian Back, Zakk Wylde, Scott Ian… quer que eu continue?

Um cara com mais de 50 anos só de carreira. Desde de 1965 como membro do The Rockin’ Vickers até 2015, lançando material inédito com o Bad Magic do Motörhead.

A banda soltou uma nota emocionante: “Ouçam sua música no talo. Bebam uma ou várias por Lemmy. Compartilhem suas histórias”

Mas foi Mike Portnoy que resumiu bem o sentimento que nos tomou: “Todos nós achamos que você viveria para sempre”É estranho pensar que mesmo estando preparados pra isso já há algum tempo, não há como dizer que era esperado. Você não espera isso. Você não quer aceitar, eu não quero. 

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Ao mesmo tempo, o legado desse cara é tão maior que sua própria vida, que fica difícil sentir que ele realmente se foi. O Metallica postou de imediato na sua fanpage: “Lemmy, você é um das razões primárias dessa banda existir. Nós somos eternamente gratos por toda a sua inspiração. Descanse em paz. Amor eterno & respeito”.

Não fui eu nem você quem disse isso. Foi a porra do Metallica!

UMA LENDA ENTRE LENDAS: Todos temos os nossos heróis. Agora, quando esses heróis parecem crianças perto de Lemmy Kilmister, é aí que você começa a entender o significado de ser um Monstro do Rock n Roll.
UMA LENDA ENTRE LENDAS: Todos temos os nossos heróis. Agora, quando esses heróis parecem crianças perto de Lemmy Kilmister, é aí que você começa a entender o significado de ser um Monstro do Rock n Roll.

E não quero entrar na discussão musical, das influências, da inovação, da arma de destruição sonora em massa que o Motörhead é. Quem esteve no Rock in Rio de 2011 comigo lembra que nem o Slipknot ou o próprio Metallica causaram tanto alvoroço com uma música quanto o Motörhead em Ace of Spades.

Lemmy era maior que sua música. Era um Rockstar com alma de moleque que acabou de sair de um ensaio da banda na garagem. Um cara simples, que nos deixou um legado.

Foi assim que separamos as maiores lições que aprendemos com o mestre:

AS 7 LIÇÕES MAIS INSPIRADORAS DE LEMMY KILMISTER

LIÇÃO 1 :: Rockstar de verdade não tem frescura
“Se você vai ser a porra de um Rockstar, então vá e seja um. As pessoas não querem ver um cara qualquer no palco, elas querem ver alguém que só pode ter vindo de outro planeta. Você quer ver alguém que nunca conheceria no dia-a-dia”.

LIÇÃO 2 :: A verdade incomoda e isso é ótimo
“Aparentemente as pessoas não gostam da verdade, mas eu gosto. Eu gosto dela porque incomoda muita gente”.

LIÇÃO 3 :: Lucidez é reconhecer o que está ao seu redor
“Na minha vida, até agora, descobri que na verdade só há dois tipos de pessoas: aqueles que estão com você e os que estão contra você. Aprenda a reconhecê-los, pois eles são frequentemente e facilmente confundidos um com o outro”.

LIÇÃO 4 :: Chega de choradeira
“Nosso ‘admirável mundo novo’ se tornou menos tolerante, espiritual e educado do que quando eu era jovem. Essa geração inteira parece ter se tornado um bando de frescos, sabe? Ninguém mais aprecia a si mesmo e aos outros em harmonia. Todos estão sempre tentando colocar o outro pra baixo só pelo prazer de estar por cima”.

LIÇÃO 5 :: “Born to lose. Live to win” 
Quem resiste a uma boa história de superação? A uma boa virada-de-mesa? Quem não se inspira ao conhecer os obstáculos e dificuldades que pessoas que admiramos já enfrentaram? Somos fascinados por esse tipo de personagem, o “Azarão”. Gostamos de pensar no Rock n Roll, entre outras coisas, como um grande universo repleto de azarões. Nossos ídolos tem uma natureza heróica capaz de transformar adversidades e obstáculos em matéria-prima para revoluções pessoais e artísticas.

Quantos vieram de ambientes conturbados? Quantos vieram de lares desfeitos? Quantos apanharam de quarterbacks, foram humilhados por cheerleaders? Quantos lutaram pra alimentar filhos e irmãos antes dos 20 anos de idade?

TATUADO NA ALMA: A singela homenagem que um de nossos amigos próximos fez, tatuando o mantra clássico de Lemmy. A ilustração é a estampa de um de nossos maiores sucessos até hoje.
TATUADO NA ALMA: A singela homenagem que um de nossos amigos próximos fez, tatuando o mantra clássico de Lemmy. A ilustração é a estampa de um de nossos maiores sucessos até hoje.

A inquietação e o questionamento tão presentes no Rock n Roll vem, também, de experiências extremamente pessoais, intensas e até dramáticas de nossos ídolos.

Conseguir expressar tudo isso pela arte, se conectar a milhões de pessoas pela música e criar um senso de comunidade e empatia em jovens que enfrentam as mesmas dificuldades ao redor do mundo, representa a grande virada-de-mesa desses azarões.

Mais do que o dinheiro em abundância, o sexo fácil e as drogas, é esse tipo de superação que nos faz acreditar em um azarão sempre que o vemos.

Lemmy é dono de mais uma daquelas histórias clássicas do errado que deu certo. Filho de pais divorciados, antes dos 20 anos já havia saído de casa, vivia entre o desemprego e trabalhos temporários, tinha dois filhos com mulheres diferentes, era viciado em máquinas caça-níqueis e tomava uma garrafa de Jack Daniels por dia. Todo dia.

Depois de inúmeras bandas e projetos frustados, o tempo como roadie de Jimi Hendrix parece ter mudado sua sorte. Com o Motörhead inaugurou um novo estilo, marcado pelos vocais guturais (nunca antes ouvidos!) e uma cozinha acelerada, que viria a influenciar praticamente todas as bandas de rock pesado dali pra frente.

Foi tempo suficiente pra Lemmy nos brindar com uma porrada de álbuns geniais, shows épicos ao redor do mundo, inúmeras parcerias antológicas (o que dizer de “Mama I’m Comin’ Home” com Ozzy ou Too Late Too Late/Damage Case com o Metallica?) e, acima de tudo, ser venerado por absolutamentetodas as gerações de rockers de todos os estilos.

UM VERDADEIRO AZARÃO: Lemmy Kilmister e seu fiel pé-de-pano em 1974.
UM VERDADEIRO AZARÃO: Lemmy Kilmister e seu fiel pé-de-pano em 1974.

LIÇÃO 6 :: Só se lamenta quem não é verdadeiro consigo mesmo
“Eu não tenho arrependimentos, as lamentações são inúteis. É tarde demais pra se lamentar. Você já fez o que tinha que fazer, não é? Você viveu sua vida. Não existe razão pra desejar qualquer mudança. Existem algumas coisas que eu poderia fazer de forma diferente, mas, no geral, nada faria tanta diferença. Estou muito feliz com a maneira com que as coisas aconteceram comigo. Gosto de pensar que trouxe alegria para muitas pessoas ao redor do mundo. Eu sou verdadeiro comigo mesmo e fiel à minha gente. Estou pronto pra morrer. Minha vida foi boa”.

LIÇÃO 7 :: Só é velho quem quer ser velho 
“Eu não entendo porque precisa existir um ponto onde todo mundo decide que você já está muito velho. Eu não estou muito velho e até eu decidir que estou, eu nunca estarei velho demais, porra. Se você acha que está velho demais para o Rock n Roll, então você está”.

É, galera. Penso agora na responsabilidade que temos nas mãos. Não podemos ficar aqui lamentando a perda desses monstros. Uma hora Ozzy Osbourne, Jimmy Page, Mick Jagger e todos os outros também vão nos deixar (isso se no momento em que você estiver lendo esse texto já não tiverem nos deixado).

Lembre-se: apenas sua obra e seu legado são eternos.

Não devemos, de forma alguma abandoná-los, mas não podemos nos entregar à doença do saudosismo. Precisamos de renovação, de criatividade, de novos heróis que irão carregar esse legado adiante.

É isso o que mantém a chama do Rock n Roll viva.

O som aqui tá sempre no talo, desde as 9h da manhã, dessa vez tomado pelo baixo estralado de Lemmy. Mas a partir de amanhã, só consigo pensar em algo como “ouça música nova”.

Imagino ser o que ele diria, afinal, ele sempre apoiou bandas independentes. Dave Grohl, Corey Taylor e muitos outros estão aí pra não me deixar mentir. Imagino até que ele transformaria isso uma última provocação:

“Pára de frescura, moleque. Tem uma porrada de coisa boa rolando por aí. Então saia e ouça, porra!”

 

Pensando melhor agora, vou ser obrigado a discordar absolutamente do Mike Portnoy. Sim, ele vai viver pra sempre, Mike. Ele é Lemmy Kilmister, porra!

Elvis, me dê licença, por favor. Lemmy agora é o novo Rei.

Joined the mile high club, goin´ round the world
All the booze is free, airline going broke,
Here come the lady with another Jack and Coke
Wanna watch the movie, can´t keep still
Flying down to Rio, going to Brazil
– Going to Brazil, Motörhead

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DEMIRO

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Entre seus grandes feitos já enfrentou uma multidão pra ver os Rolling Stones em Copacabana e dirigiu de San Francisco a Los Angeles só pra conferir uma banda cover do Doors no Whiskey a Go Go. Lamenta não ter visto James Brown ao vivo e acredita que os vícios fazem parte das virtudes assim como os venenos dos remédios.

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